Artefacto 1 – Alterações Climáticas: o contexto das experiências de vida

Elaborado no âmbito da participação no iMOOCAC13

O Relatório Stern veio demonstrar o que, há muito, a comunidade científica vinha a alertar. O Planeta está a aquecer a uma velocidade nunca antes vista e as causas desse fenómeno são antropogénicas. É o Homem, através do consumo de combustíveis fósseis, que está a libertar dióxido de carbono para a atmosfera e a provocar o aumento dos gases com efeito de estufa. Desde o século XVIII que a temperatura média da terra tem vindo a aumentar rapidamente. Segundo Schellnhuber, J. (2010)[2], as regiões polares funcionam como os termóstatos da terra, através de correntes de ar frio e de correntes marítimas frias, mantêm a temperatura da terra equilibrada, podendo este processo, de alguma forma, ser comparado ao sistema circulatório humano que, através do fluxo de sangue regula a temperatura global do corpo e a sua necessidade de oxigénio. Com o aumento das emissões dos gases com efeito de estufa a passar o teto de 500 ppm CO2 o limite de estabilidade da camada de gelo da Antártida será ultrapassado e, a verificar-se este cenário, dificilmente se voltará a formar a criosfera. Inevitavelmente, os custos pela inação serão irremediavelmente muito superiores aos custos inerentes à mitigação.

O caminho será o das soluções ecológicas através de, por exemplo, a utilização de energia eólica ou solar ou, com o recurso a novas tecnologias, tentar encontrar formas de energia alternativas. Coma libertação da dependência dos combustíveis fósseis e o investimento em energias alternativas não poluentes a economia poderá continuar a crescer. No sítio da Comissão Europeia, num artigo relativo ao crescimento sustentável [1], é referido que com a redução, até 2020, de 60 mil milhões de euros na fatura energética relativa à importação de petróleo e, consequentemente, com a supressão de 20 por cento das necessidades da europa através de energias renováveis irá levar à criação de mais de 600 000 postos de trabalho diretos e de 400 000 postos de trabalho adicionais. Esta alteração no mercado europeu da energia poderá vir a criar um aumento do produto interno bruto na ordem dos 0,6% a 0,8%.

Também um mercado de carbono eficaz reduzirá grandemente a quantidade de carbono libertado para a atmosfera. Por todo o mundo em vias de desenvolvimento as florestas tropicais estão a ser abatidas em troca de lucros que, num mercado de carbono em funcionamento, deixariam de acontecer face aos benefícios económicos da sua conservação.

As alterações climáticas e o seu impacto nas populações, resultado dos desastres naturais consequentes, é algo que tem diferentes repercussões sociais quer estejamos a falar de países ricos ou a falar de países em desenvolvimento. Os países ricos, com recursos financeiros e melhores infraestruturas, conseguem proteger-se melhor que os países em desenvolvimento que têm poucos recursos para fazerem frente aos desastres ecológicos. A solução para estes desastres está no apoio financeiro que os países desenvolvidos podem fornecer aos países em desenvolvimento. Algumas das comunidades mais pobres e vulneráveis já se encontram a sofrer os efeitos das alterações climáticas. Vão ser sentidos, ainda durante as nossas vidas, os efeitos que as secas, tempestades tropicais, subida dos níveis do mar e perturbações climatéricas acentuadas irão provocar em zonas costeiras, extensas áreas de África e pequenos estados insulares.

Segundo o Relatório de Desenvolvimento Humano 2007/2008 [3], “Estes efeitos, a curto prazo, podem não ser muito significativos em termos da totalidade do produto interno bruto (PIB) mundial. Mas para alguns dos mais pobres povos da Terra, as consequências poderiam ser apocalípticas. A longo prazo, as alterações climáticas são uma ameaça massiva ao desenvolvimento humano e, em alguns lugares, já minam os esforços da comunidade internacional para reduzir a pobreza extrema.”

Continuo dividido. Continuo sem estar convicto quanto à precisão científica das previsões do Relatório Stern. Apesar de Nicholas Stern, em 2013[4], afirmar que o erro do seu relatório de 2006 tinha sido só um, que este teria sido muito otimista relativamente aos desastres ecológicos que nos esperam se mantivermos a atual política energética e a mesma passividade na resolução do problema. Mas há algo quanto ao qual eu não tenho qualquer dúvida. Relativamente ao problema que temos entre mãos, não devemos fazer a experiência, não vamos testar se os modelos de Stern estão corretos e se as suas previsões são fidedignas. Se, efetivamente, se vier a verificar que os seus modelos e as suas previsões estavam corretos, então já não teremos uma Terra que nos sirva de lar.

Referências:

 [1] Comissão Europeia – Europa 2020 (2012). Crescimento sustentável: para uma economia eficiente na utilização dos recursos, mais ecológica e mais competitiva. Acedido em

 http://ec.europa.eu/europe2020/europe-2020-in-a-nutshell/priorities/sustainable-growth/index_pt.htm

[2] Glikson, A. (2010). Co2 mass extinction of species and climate change. Counter Currents, Acedido em http://www.countercurrents.org/glikson220210.htm

[3] Relatório de Desenvolvimento Humano 2007/2008 (2007) – Combater as alterações climáticas: Solidariedade humana num mundo dividido, Publicado para o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Acedido em

 http://hdr.undp.org/en/media/HDR_20072008_PT_complete.pdf

[4] Stewart, H., & Elliott, L. (2013). Nicholas stern: ‘i got it wrong on climate change – it’s far, far worse’. The Guardian, Acedido em

 http://www.guardian.co.uk/environment/2013/jan/27/nicholas-stern-climate-change-davos

e-cumps 🙂

João Henriques

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