Avaliação em Contextos de eLearning – Relatório Final da Unidade Curricular

Avaliação em Contextos de eLearning

Relatório Final da Unidade Curricular

Introdução

O presente relatório pretende relatar a minha experiência na Unidade Curricular “Avaliação em Contextos de eLearning”. Durante o semestre, ao longo de 4 atividades e da elaboração deste Relatório Final, estive envolvido na frequência de uma aprendizagem, que por vezes se pautou por um ritmo acelerado o qual, muitas vezes, me foi difícil acompanhar, mas que me permitiu chegar ao fim com as competências necessárias para conseguir definir os princípios e processos de avaliação da formação em cursos em ambiente online e identificar indicadores que me permitem aferir a qualidade desses processos nas suas variadas vertentes. Simultaneamente, a frequência da Unidade Curricular permitiu-me analisar e tomar consciência da problemática da avaliação relativamente a aprendizagens em contextos de formação online, os seus fundamentos teóricos, as suas modalidades e estratégias de avaliação e, perante este contexto, que ferramentas e instrumentos de avaliação podem ser utilizados. Vamos então começar por relatar a primeira atividade.

Atividade 1

A minha atividade em Avaliação em Contexto de Elearning começou um pouco mais tarde do que para a maioria dos colegas. Devido a umas confusões iniciais, relativas a matrículas e que agora não têm importância para o caso, comecei a frequentar a UC já os colegas tinham iniciado a atividade 2. Depois de eu pedir orientações sobre de que forma poderia colmatar o meu atraso, a professora aconselhou-me a ler o texto base da atividade 1 – “ A Avaliação em Educação: da linearidade dos usos à complexidade das práticas” de Jorge Pinto, de modo a ficar, a par com os colegas, por dentro da perspetiva de avaliação global que foi discutida na referida atividade.

Depois de ler o texto proposto e os “posts” dos colegas no fórum de discussão da atividade 1 apercebi-me que, cada vez mais, existe uma aceitação generalizada, a todos os níveis, relativamente à necessidade da avaliação. Mas, simultaneamente, também me apercebi que existe uma opinião geral de que só o que foi previamente avaliado é credível e tem valor. Apercebi-me, através do texto e com base nos comentários que refletem a experiência individual dos colegas que, de modo geral, dá-se uma grande importância ao facto de que algo foi ou não submetido a avaliação e presta-se pouca atenção ao modo como essa avaliação foi executada. O importante é existir um valor que quantifique, que categorize e escalone. Perante esta tendência Jorge Pinto alerta para o facto de que, se não existir uma reflexão profunda e integradora entre as finalidades, os objetos e as metodologias da avaliação, poder-se-á correr o risco de banalização e esvaziamento de sentido da avaliação.

A problemática da avaliação e a sua evolução ou mudança de paradigma toma particular importância quando esta se refere ao ensino à distância. Só a avaliação pode validar o reconhecimento e a certificação que o ensino à distância sempre procurou mas, simultaneamente, a mesma avaliação tem de ser aplicada em moldes diferentes da aprendizagem presencial. A emergência da componente elearning do ensino à distância tem vindo a demonstrar que a avaliação neste tipo de aprendizagem, contrariamente ao ensino presencial, e devido às diferentes dinâmicas que se verificam entre os vários intervenientes, ainda tem muito espaço para evoluir. A avaliação na aprendizagem em elearning ainda tem um longo caminho a percorrer.

Atividade 2

Como referi anteriormente, já decorria a atividade 2 quando ingressei na UC. Assim que pude aceder à mesma, na plataforma de elearning, fui averiguar quais eram os objetivos da atividade e o que era solicitado aos alunos. Os objetivos da UC consistiam em “Perspetivar a especificidade da avaliação pedagógica em contextos de elearning” e “Analisar princípios teóricos de avaliação em Elearning” e era esperado que, depois de a turma se constituir em grupos, lesse dois dos três textos propostos: “Designing online learning assessment throught alternative approaches facing the concerns” de Mateo, J. e Sangrá, A., “Quality in Online Delivery: What does it mean for assessment in E-Learning Environments?” de McLoughlin, C. e Luca, J. e “A Cultura da Avaliação: que dimensões?” de Pereira, A., Oliveira, I. e Tinoca, L. Também era solicitado que o grupo lesse mais um texto, escolhido por si.

Seguidamente os grupos passariam à elaboração de  um documento, colaborativamente, onde sintetizaram as especificidades da avaliação em contextos de Elearning e exporiam as grandes linhas de força dos textos escolhidos.

Como cheguei tardiamente, já os grupos estavam formados. Pedi para ser “adotado” pelo grupo 3, era o grupo que tinha menos elementos, e fui aceite. O texto que o grupo 3 acrescentou às leituras foi “Problemáticas da Avaliação em Educação Online” de Gomes, M.

O grupo de que passei a fazer parte, para a elaboração do documento pretendido, organizou-se e partilhou um documento no Google docs. Desta forma pôde trabalhar colaborativamente, de umas vezes de modo assíncrono e de outras, sincronamente.

Perante a leitura dos textos, com a elaboração do trabalho de grupo e posteriormente com a discussão no fórum dedicado à atividade, fiquei a conhecer as alterações e os desafios que o elearning trouxe para a temática da avaliação. Estas alterações tomaram maiores proporções depois de ser implementado o Processo de Bolonha onde foi apresentado um novo paradigma de ensino superior baseado mais nas competências e não apenas em objetivos. O surgimento dos Programas de Avaliação de Competências enfatiza os métodos utilizados pela edumetria em detrimento dos métodos utilizados pela psicometria, tentando focar-se mais no desenvolvimento do aluno do que medir as diferenças entre alunos. Recorrendo a estes métodos de avaliação de competências, os resultados apresentarão critérios mais válidos e justos, valorizando a função formadora e procurando a flexibilidade e autenticidade da avaliação.

Uma das particularidades da avaliação em eLearning prende-se com a dificuldade em verificar a identidade dos alunos. Desta forma, de modo a que a credibilidade da mesma seja garantida, as ferramentas de avaliação devem ser empregues em qualidade e simultaneamente em quantidade e, independentemente da importância dada a cada uma das funções da avaliação, diagnóstica, formativa ou sumativa, não deve estar apenas presente a preocupação com a avaliação do aprendizado dos estudantes mas também a avaliação dos próprios cursos, numa perspetiva que abranja a autenticidade, a consistência, transparência e praticabilidade.

Todos os intervenientes no processo de aprendizagem em regime de elearning têm de estar conscientes de que os aprendentes e os próprios cursos em si devem ser submetidos a uma forma de avaliação holística, participativa e formativa de modo a ser garantida a credibilidade a este tipo de ensino.

Atividade 3

A abertura da atividade 3 surge com uma temática que, para mim, foi uma novidade. O objetivo da atividade consistia em “Analisar e caraterizar instrumentos de avaliação alternativos em contextos de elearning: E-portefólios, Fóruns e Wikis”. A turma organizou-se em grupos e, em função da ferramenta de avaliação que escolheu para trabalhar, escolheu entre os textos propostos, os que lhe interessavam. O meu grupo decidiu desenvolver o seu trabalho tendo por base os “Fóruns de Discussão”. Começamos por ler os textos “A contribuição do fórum de discussão para o aprendizado do aluno: Uma experiência com estudantes de administração” de Jacobsohn, L. e Fleury, M., “Measuring the quantity and quality of online discussion group interaction” de Nisbet, D., “Asynchronous discussions and assessment in online learning” de Vonderwell, S., Liang, X., e Alderman, K., “An analysis of an assessment model for participation in online forums” de Wee, M. e Abdullah, A. e a página “Uso de fóruns no ensino” do site GeoEscola. Depois de terminadas as leitura passamos aos trabalhos práticos. O grupo decidiu apresentar o seu trabalho em formato powerpoint e partilhá-lo no Slideshare, mas antes de o passar à versão final trabalhamos colaborativamente no Google docs, esta forma de trabalhar em grupo permite-nos trabalhar de forma síncrona ou assíncrona e, quando trabalhamos sincronamente, ainda nos permite trocar ideias e opiniões através de uma janela de chat.

A elaboração deste trabalho permitiu-me aprofundar os meus conhecimentos sobre as vantagens e desvantagens de utilizar fóruns de discussão como ferramenta de avaliação em aprendizagem em regime de elearning que, devido às suas caraterísticas específicas, muda a seleção, monitorização e a gestão das atividades avaliativas e onde o papel do professor deixa de ser central no decurso da ação formativa para passar a desempenhar o papel de facilitador, mentor ou orientador das aprendizagens.

Devido às suas características específicas, devido à sua potencialidade para avaliar a participação e evolução dos alunos, os fóruns podem ser utilizados como um excelente instrumento de avaliação sumativa mas, simultaneamente, também funciona como um instrumento de avaliação formativa que através da possibilidade constante da verificação da evolução da aprendizagem, permite adaptar o ensino e a aprendizagem às reais necessidades dos alunos.

Depois de cada grupo apresentar o seu powerpoint, a turma, toda ela, discutiu as vantagens, e eventualmente as desvantagens, da utilização dos e-portefólios, dos fóruns de discussão e das wikis como ferramentas alternativas de avaliação. Verificamos que os fóruns e as Wikis têm a capacidade atingir objetivos de aprendizagem bastante ambiciosos visto que têm a possibilidade de incorporar as sugestões e as conclusões de todos os elementos do grupo de trabalho. Estimulam os alunos a aprenderem em interação, a respeitarem e darem valor aos conhecimentos dos outros e todos beneficiam com o saber e com as experiências de cada um. Permitem a formação de comunidades de aprendizagem, as relações entre alunos são estimuladas, quanto mais troca de ideias existir, maior será o interesse e o compromisso entre os alunos. Ao mesmo tempo, os e-portfólios possibilitam ao aluno a construção de percursos individuais de aprendizagem e estimulam a autorreflexão, autorregulação e metacognição. Outra caraterística, inerentemente a estes objetos de avaliação, que ficou demonstrada durante a atividade 3 é que eles promovem a transparência no processo de aprendizagem.

 

Atividade 4

Com a abertura da atividade 4, uma nova tarefa é atribuída à turma. O objetivo desta atividade consistiu em “Definir procedimentos e critérios de avaliação para atividades de uma disciplina de um curso online” e a turma teve, como tarefa final, de elaborar um design de avaliação onde teriam de estar definidos os procedimentos e critérios de avaliação para as componentes “Atividades da UC” e “Fóruns de Discussão” ou seja, seriamos nós a definir como seria avaliada toda a nossa participação na UC até aquela data. Antes de iniciarmos o trabalho no design de avaliação propriamente dito, começamos por dividir a turma em três grupos. Seguidamente os grupos leram o texto de Stella Porto, proposto pela professora, “A Avaliação da Aprendizagem no Ambiente online” e só depois os grupos passaram à elaboração dos seus designs de avaliação. O grupo onde eu fiquei, mais uma vez, escolheu o Google docs para trabalhar. É na verdade, devido às suas capacidades, uma excelente ferramenta para trabalhar colaborativamente. Na elaboração do design a ser proposto, o grupo a que eu pertencia, teve em atenção que qualquer avaliação, seja ela em regime de elearning ou presencial, deve responder sempre às seguintes questões: Os alunos estão a aprender? O que é que os alunos estão a aprender? Como é que os alunos estão a aprender? Estou a ensinar o que quero que aprendam? Como posso fazer isso melhor? Mas, independentemente de estas perguntas terem de ser, continuamente respondidas, um desing de avaliação, em elearning, tem de ser previamente definido, discutido e acordado entre professor e aluno.

Quando todos os grupos terminaram as suas propostas de design apresentaram-nas ao resto da turma e passou-se à discussão, no fórum geral, de como seria o design de avaliação de toda a turma. As três propostas apresentavam grandes diferenças entre si e ouve algum impasse nesta altura. Mais tarde o consenso chegou e ficou decidido que, tendo por base a proposta do grupo 2, toda a turma, colaborativamente, recorrendo mais uma vez ao Google docs, iria fazer um design de avaliação que recolhesse o consenso geral. Neste ponto percebi que trabalhar colaborativamente com muitas pessoas e conseguir um acordo unânime não é tarefa fácil. As opiniões divergiram entre a utilização, ou não, de grelhas, que competências, tarefas e rubricas seriam avaliados e quais seriam os critérios. Também existiu a proposta de a avaliação ser feita entre pares. Depois de discutidas todas as propostas, tendo presente que o prazo de entrega inicial já estava ultrapassado e a extensão de prazo dado pela professora já se aproximava do fim, chegou-se ao acordo e foi terminado o design da turma.

A proposta de design final apresentada, que tentando evitar alguma subjetividade, sempre inerente a qualquer ato de avaliação, optou pela utilização de grelhas. Foi decidido entre todos que este modelo de design de avaliação, embora possa parecer redutor, é o que melhor consegue minimizar a subjetividade na avaliação.

Este trabalho colaborativo também me deixou perceber que a avaliação em qualquer das suas várias dimensões, e como elemento integrante do processo de aprendizagem, sempre permitirá a inovação e a criatividade, quer estejamos a adaptar ferramentas utilizadas no ensino tradicional ao ensino online, quer estejamos a criar ferramentas completamente novas.

Conclusão

Para concluir o relatório referente à minha frequência da Unidade Curricular “Avaliação em Contextos de eLearning” quero afirmar que hoje, depois de passar por esta experiência, entendo a avaliação da formação online de uma forma diferente. Sei que existem métodos de avaliação, utilizados no ensino presencial, que se podem aplicar a este tipo de ensino e que, da mesma forma, validam este tipo de aprendizagem. Mas esta modalidade de ensino, devido às suas caraterísticas específicas, pelo tipo de relação entre os intervenientes, pelos meios tecnológicos que utiliza, pela dificuldade que sente em comprovar a identidade dos seus formandos e também por alguma desconfiança demonstrada por alguns setores da sociedade, deve ser alvo de ferramentas e técnicas de avaliação específicas. O ensino online, através de uma avaliação formativa continuada e recorrendo a processos de autorregulação, deve fazer uma ponte entre a avaliação do aprendizado do aluno e a avaliação dos cursos em si. Só desta forma o ensino online conseguirá a creditação e a validação, exigidos pela sociedade, que lhe garantirão a credibilidade necessária à sua continuação, à sua evolução como método e ao aumento da sua abrangência como modelo de ensino.

Referências:

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