Bibliografia Anotada relativa a dois itens relevantes sobre Recursos Educacionais Abertos

Hylén, J. et  al (2012). Open educational resources: Analysis of responses to the OECD country questionnaire. OECD Education working papers, n.º 76, Acedido em:

http://www.adapt.it/englishbulletin/docs/OECD_May_2012.pdf

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Descrição

Neste documento Jan Hylén et al apresentam a análise a um questionário, respondido por 28 dos 34 países da OECD, relativamente à sua posição face aos Recursos Educacionais Abertos. O fato de 82% dos países inquiridos terem respondido, num curto espaço de tempo, demonstra a importância que os países da OECD dão a esta temática.

A análise constatou que 23 dos 28 países afirmaram que, de algum modo, estão ativos no movimento REA. As razões que os levam a tomar esta posição são diversificadas e variam desde a necessidade de aumentar o acesso a recursos de aprendizagem de alta qualidade até à procura de uma melhoria na relação custo-eficácia/eficiência da educação, passando pela promoção da aprendizagem ao longo da vida.

Os países que não estão ativos no movimento REA, apesar de estarem a considerar uma futura adesão, justificam a sua ausência com motivos tão diversificados como a falta de motivação, por parte de professores e de empresas ligadas ao setor, para partilhar os seus recursos ou que a falta de literacia digital colocará as pessoas com menores qualificações numa situação mais desfavorável.

O documento apresenta-nos tópicos, recorrendo a vários gráficos, tais como a atividade REA, o nível educacional da atividade REA, os recursos educacionais produzidos ou pagos pelo estado, a importância dos benefícios dos REA, a investigação em REA, a importância dos desafios dos REA e estratégias relativamente aos REA, relativos aos diversos países que responderam ao questionário.

Comentário

Este documento é uma excelente ferramenta para nos elucidar o modo como os países da OECD vêm o movimento REA, o modo como este está desenvolvido e que planos e objetivos estes têm para com os Recursos Educacionais Abertos.

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Falconer, I. et al (2013, abril 25). Oer4adults SWOT summary: IPTS foresight workshop – OER in LLL. oer4.adults. Acedido em:

 http://oer4adults.org/wp-content/uploads/2013/04/OER4Adults-SWOT-summary-draft-for-website.pdf

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Descrição

O documento começa por referir que iniciativas existem, na Europa, relativamente ao ensino ao longo da vida e como estão distribuídas pelos diversos países. Seguidamente apresenta-nos, em percentagem, o tipo de ensino pelo qual são distribuídos os REA, são maioritariamente dirigidos ao ensino superior mas também fortemente utilizados no ensino ao longo da vida. Verifica-se, de seguida, de que forma os REA são subsidiados pelos diversos países e o modo como os utilizadores acedem a estes.

As linhas de força apresentadas vão desde o facto de os REA serem gratuitos até à sua capacidade de serem facilmente alcançáveis, mas a sua maior força reflete-se na sua capacidade de proporcionar o acesso aberto ao conhecimento e melhorar a pedagogia através do desenvolvimento colaborativo e da partilha de recursos.

As fraquezas dos REA são muitas e variadas e vão desde o facto de serem um conceito novo e confuso até à dificuldade que estes têm em garantir a sua qualidade.

As oportunidades também são muitas. Os REA é um conceito simples, fácil de elaborar e de pôr em prática, permitindo uma participação em massa que, simultaneamente, pode resolver o problema atual do elevado custo do ensino.

As ameaças são várias e têm por base a falta de literacia digital existente em grande parte da população, associada a um desconhecimento geral do que são os REA. As autoras terminam referindo que, apesar dos REA serem uma ideia muito forte, com um grande potencial de futuro, não podemos subestimar a mudança cultural necessária para otimizar o seu valor.

Comentário

O documento, apesar de ser apenas um sumário para uma conferência futura, apresenta, de modo muito condensado, simples e explícito, os resultados de uma pesquisa, relativa aos REA, na ótica de forças, fraquezas, oportunidades e ameaças, aplicados à educação de adultos e à aprendizagem ao longo da vida.

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“Os superficiais” de Nicholas Carr – Ensaio Crítico

  Psicologia da Comunicação Online

Ensaio crítico, relativo ao livro “Os superficiais – o que a internet está a fazer aos nossos cérebros” de Nicholas Carr, elaborado como trabalho final da Unidade Curricular “Psicologia da Comunicação Online”.

 Prólogo – “O Cão de guarda e o ladrão”

Na introdução ao seu livro, Nicholas Carr começa por advertir o leitor que não vai escrever sobre nada de novo. O tema que irá abordar já foi referido anteriormente por Marshall McLuhan no seu livro de “Understanding Media: The Extensions of Man”. Carr refere que McLuhan, já em 1964, advertia que tecnologias de então, tais como o telefone, o rádio, o cinema e a televisão estavam a invadir os nossos sentidos fazendo com que os bons hábitos de leitura estivessem a perder terreno. Relativamente à capacidade de distração dessas novas tecnologias, a discussão debatia-se em torno da capacidade dos conteúdos nos abstrair, ficando os meios tecnológicos que os difunde, isentos da discussão. Perante tão grande capacidade de nos entreter, esquecemo-nos que não são os conteúdos, mas sim as ferramentas que os transportam até nós, que estão a alterar o nosso modo de pensar. Carr, citando o crítico de cinema David Thomson, afirma que “as dúvidas podem tornar-se fracas face à certeza do meio.” Howard Rheingold, por seu lado, no seu livro Mind Amplifier, defende que não são as ferramentas tecnológicas que têm o poder de influenciar o ser humano. O modo como essas ferramentas são usadas é o mais importante. Afirma que “Não são apenas as ferramentas mentais que são importantes nas mudanças de direção civilizacionais. O saber usar essas ferramentas mentais é o que remodela o pensamento e muda o curso da história” (Rheingold, H. 2012, Pág. 5).

1 – Hal e Eu

O primeiro capítulo começa com a transcrição de um diálogo do filme 2001 – Odisseia no espaço de Stanley Kubrick. O Supercomputador Hal suplica a Dave, o último astronauta da nave espacial onde ambos se encontram, que pare de desligar os seus circuitos: “- Dave a minha memória está a desaparecer”.

Nicholas Carr auxilia-se desta metáfora para demonstrar que, também ele, se sente a perder a sua memória. Carr recorda como nos seus tempos de juventude conseguia ler um livro, do princípio ao fim, sem perder a concentração. Atualmente, o autor, apercebe-se que tem grandes dificuldades em se concentrar. Agora, quando se senta para ler um livro, é incapaz de ler uma página completa sem desviar os olhos do livro. Dá consigo a vaguear, frequentemente. Também tomou consciência que esta falta de concentração não se verifica só quando lê, também lhe acontece quando executa outras tarefas e também perdeu a capacidade, que tinha anteriormente, de se lembrar das coisas. Esta perda de capacidades não se verifica apenas com Carr, muitas outras pessoas estão experienciando o mesmo.

Com o surgimento da internet, com os seus pequenos textos interligados entre si, os quais nós vamos passando de página em página, a maior parte das vezes sem ler todo o seu conteúdo, absorvendo só o que consideramos importante, surgiu também uma nova forma de o nosso cérebro recolher e absorver informação.

“Como McLuhan sugeriu, os media não são apenas canais de informação. Fornecem algo para pensar, mas também modificam o processo de pensar. E o que a internet parece estar a fazer é desbastar a minha capacidade de concentração e contemplação. Agora, quer me encontre online ou não, minha mente espera receber informações do modo como a rede a distribui: um fluxo veloz de partículas. Outrora fui um mergulhador num mar de palavras. Hoje passo deslizando sobre a superfície como alguém numa moto aquática”.(Carr, N. 2012, pag.19). Rheingold também reconhece que existe uma apreensão generalizada sobre a dependência que as tecnologias de informação e comunicação nos podem provocar, admite que estas podem entorpecer as nossas mentes e as nossas emoções tornando-nos, a nós e à nossa cultura, superficiais. Mas, em vez de tomar uma posição contrária às tecnologias de informação e comunicação, Rheingold propõe que “em vez de perguntarmos se a Web e os vários dispositivos que nos ligam a ela estão a tornar-nos mais estúpidos, porque não projetamos e construímos dispositivos digitais, de forma consciente, que nos tornem mais inteligentes?” (Rheingold, H. 2012, Pág. 4).

2 – Caminhos Vitais

O capítulo 2 dedica-se à investigação e à perceção que existiu, sobre o funcionamento do cérebro, ao longo da história. Atualmente, com descoberta da plasticidade do cérebro, temos conhecimento que este está em constante mutação como consequência de todas as experiências pelas quais o indivíduo passa, que uma das causas com maior poder para alterar o cérebro de um indivíduo são os seus próprios pensamentos e que estas alterações são fortemente influenciadas pelas novas tecnologias.

A descoberta das caraterísticas plásticas do cérebro teve grandes implicações a vários níveis, entre eles o filosófico. Com esta descoberta foi estabelecido um ponto de contato entre o empirismo e o racionalismo. Enquanto o empirismo advogava que o conhecimento era adquirido apenas através da experiência, sendo os indivíduos produtos puramente culturais, o racionalismo advogava a natureza determinística do conhecimento, estando este já pré-programado no cérebro humano. A descoberta da plasticidade do cérebro, juntamente com os avanços na genética, tem demonstrado que, neste aspeto, existe uma complementaridade entre estas duas filosofias. Marc Prensky (2001) afirma que “pesquisas feitas por psicólogos sociais demonstraram que pessoas que cresceram em culturas diferentes, não pensam apenas em coisas diferentes, essas pessoas pensam realmente de forma diferente. O meio ambiente e a cultura em que essas pessoas são socializadas afeta e determina muitos dos seus processos mentais.

As crianças aprendem a falar da mesma forma que um pássaro aprende a voar, são caraterísticas inatas. A leitura e a escrita estão tão enraizadas na nossa identidade cultural que facilmente as consideramos inatas. Mas estas duas aptidões não são inatas, são aprendidas. São aptidões que só foram possíveis no Homem devido ao à descoberta do alfabeto. O nosso cérebro tem de aprender a traduzir os caracteres simbólicos que observamos na linguagem escrita. A leitura e escrita exigem uma aprendizagem e prática por parte do cérebro e têm como consequência uma moldagem específica do mesmo.

3 – Ferramentas da Mente

Neste capítulo Nicholas Carr faz referência a várias invenções humanas. Algumas delas, tais como a cartografia e o relógio têm uma importância acrescida, ele chama-as de “tecnologias intelectuais”. São tecnologias que foram criadas com o objetivo de expandir as nossas capacidades mentais. São tecnologias que exercem uma grande influência sobre o que, e de que modo, pensamos.

Entre todas as “tecnologias intelectuais”, o alfabeto foi, provavelmente, a invenção que mais alterou o nosso modo de pensar. O alfabeto fonético inventado pelos gregos em 750 A.C. era um sistema eficiente e completo para a escrita e para a leitura. Recorrendo a este alfabeto, o esforço mental, para ler e para escrever, era muito menor do que o esforço que era necessário despender para ler os símbolos pictóricos da anterior escrita cuneiforme. Foi o alfabeto fonético grego que permitiu que a transferência cultural deixasse de ser oral e passasse a ser escrita. Devido ao facto de o homem passar a ter a possibilidade de guardar as suas memórias em suportes como o papel ou o papiro, foi libertado da obrigação de ter de memorizar grandes quantidades de informação, disponibilizando grande parte das suas capacidades cerebrais para outros fins. A palavra escrita libertou o conhecimento das limitações da memória individual, abrindo a mente a novas fronteiras do pensamento e da expressão. Este ponto de viragem na história humana não foi pacífico. Correntes mais tradicionalistas oponham-se a esta nova forma de transmissão de conhecimento, afirmando que, recorrendo à tradição escrita, o Homem iria tornar-se num pensador superficial.

Rheingold afirma que “Com a escrita veio leitura, uma reprogramação forçada dos jovens cérebros para reconhecer, extrair e construir significado a partir de um pequeno conjunto de símbolos visuais. Com a leitura vieram as primeiras escolas, onde reprogramámos os jovens da nossa espécie, ensinando-lhe alfabetos e gramáticas.”

Citando Maryanne Wolf (2007), Rheingold diz que “A simbolização, portanto, mesmo para o sinal gráfico mais minúsculo, explora e expande duas das características mais importantes do cérebro humano – a nossa capacidade de especialização e a nossa capacidade de fazer novas conexões entre áreas de associação.” (Rheingold, H. 2012, Pág. 15).

4 – A Página do Aprofundamento

No capítulo quatro o autor refere que os primeiros livros eram de difícil leitura. Os textos eram contínuos, sem separação de palavras e sem regras gramaticais, utilizava-se a ”scriptura continua”. Este modo de escrita dificultava a sua perceção, obrigando o leitor a um trabalho cognitivo lento e intenso. Com a expansão da cultura escrita, os escritores começaram a implementar espaços entre as palavras e sinais gráficos nos textos. Ler esta nova forma de escrita teve que ser aprendida, requerendo mudanças complexas nos circuitos do cérebro mas que permitiu aliviar a pressão cognitiva envolvida em decifrar o texto, tornando possível que este fosse lido de forma mais rápida, silenciosamente e possibilitando uma maior compreensão. Esta nova forma de escrita não só tornou os leitores mais eficientes mas também mais atentos. Novos vocábulos foram surgindo representando, muitos deles, conceitos abstratos que, anteriormente, não eram passiveis de serem representados por apenas uma palavra. Carr afirma que, como resultado do surgimento das novas ferramentas tecnológicas e dos conteúdos por elas distribuído, “Agora a corrente dominante está sendo desviada, rápida e decisivamente, para um novo canal. A revolução eletrónica está a aproximar-se do seu auge à medida que o computador – pessoal, portátil ou de bolso – se torna o nosso companheiro constante e a internet se torna o nosso meio preferido de armazenar, processar e partilhar informação em todos os formatos, incluindo texto. … Mas o mundo do ecrã, como começamos a compreender, é um mundo muito diferente do mundo da página. Uma nova ética intelectual está a tomar o poder. Os caminhos nos nossos cérebros estão mais uma vez a ser redesenhados.”.(Carr, N. 2012, pag.101). Rheingold, numa perspetiva mais confiante e otimista, diz que “Cada vez mais estudos empíricos são feitos em torno do modo como a nossa utilização dos média remodela os nossos cérebros… grandes pesquisas literárias têm prosperado em torno de trabalho cooperativo mediado por computador, de relações entre homem-computador e de média colaborativa… Juntando o que se sabe agora sobre os seres humanos, computadores e meios de comunicação, para que direção quereríamos nós que a extensão-da-mente seguisse, se tivéssemos qualquer palavra a dizer?” (Rheingold, H. 2012, Pág. 26).

5 – Um Meio de Natureza Muito Geral

No capítulo 5, Carr refere que o computador, associado à expansão da internet, está a expandir-se e a retirar protagonismo a todas as outras tecnologias. A rede, composta por milhões de computadores interligados entre si e pela informação que estes armazenam e partilham, transformou-se numa máquina gigantesca, à escala global, que está a tomar o lugar de todas as outras tecnologias intelectuais. Cada vez mais, o nosso computador pessoal, ligado à rede, transformou-se na nossa máquina de escrever, no nosso mapa, no nosso relógio, na nossa calculadora, no nosso telefone, no nosso correio, na nossa biblioteca, na nossa rádio e na nossa televisão. Estamos dependentes da rede, cada vez mais, para todas as nossas tarefas do nosso dia-a-dia.

O incremento da internet e a propagação dos textos aí colocados tem levado as pessoas a lerem mais, mas o tempo que as pessoas passam a ler materiais impressos é cada vez menor.

A quantidade de utilizadores da internet tende a ser cada vez maior. Como resultado da sua abrangência e do seu fácil acesso, esta tende, simultaneamente, a ser parte integrante das nossas vidas. Perante a sua interatividade, a sua capacidade de pesquisa, o seu vasto volume de informação e os seus conteúdos multimédia, é impossível não nos sentirmos atraídos pela internet. As próprias bibliotecas são o espelho do domínio da informação digital depositada na rede sobre os materiais impressos. No seu interior, antigamente, predominava o silêncio e as pessoas estavam ler livros, hoje encontramo-las a navegar na internet. Como afirma o autor “a disposição da biblioteca também fornece um poderoso símbolo da nossa paisagem mediática: no centro está o ecrã do computador ligado à internet; a palavra impressa foi relegada para as margens.”(Carr, N. 2012, pag.126).

6 – A Própria Imagem do Livro

O capítulo seis começa referindo as dificuldades por que o livro impresso está a passar, resultantes da sua progressiva substituição por literatura digital. A escrita, quando surgiu, não substituiu completamente a oralidade. Da mesma forma, o livro tem resistido à supremacia da internet, mas até quando? O livro impresso continua a possuir caraterísticas como a rusticidade, a portabilidade, a desnecessidade de energia e a dispensabilidade de condições específicas de luminosidade, que o ecrã ainda não conseguiu superar. Mas, paulatinamente, os avanços tecnológicos estão a conseguir ultrapassar as particularidades que ainda faziam despertar interesse pelos livros.

Surgiram no mercado leitores de texto digitais, com ligação à internet, muito práticos, de fácil transporte, com a capacidade de armazenarem milhares de obras literárias e que têm a particularidade de terem as palavras transformadas em hipertexto que remete para a wikipédia, para um motor de busca ou para um dicionário. Com a introdução do hipertexto e dos conteúdos a ele ligados, estes livros eletrónicos passaram a ter as caraterísticas da internet com todos os fatores de distração a ela associados. Perante este tipo de equipamento, a leitura perde a linearidade, a calma e a atenção que segurava o leitor. O imediatismo invalida o tempo de concentração necessário à leitura profunda. O modo como lemos um livro eletrónico é muito diferente do modo como lemos o livro impresso e esta diferença irá repercutir-se na forma como iremos escrever. Perante esta nova forma de apresentação dos textos, estes perdem a intemporalidade e os autores vão descurar a busca da perfeição. O imediatismo e a informalidade dos textos dispostos online provocaram um decréscimo de expressividade e uma diminuição da eloquência.

Como refere Watson, R. “Ler no ecrã de um computador é rápido e adequado à obtenção de fatos. Em contraste, a leitura em papel é reflexiva e mais adequado à tentativa de compreender um argumento ou conceito.” e “O pensamento profundo … não pode ser conseguido com pressa ou num ambiente cheio de interrupções ou hiperlinks. Não pode ser conseguido através de 140 caracteres. Não pode ser conseguido na desordem da multitarefa.” (Watson, 2010, pág.3).

7 – O Cérebro do Malabarista

Este capítulo é dedicado ao efeito distrativo que a internet tem sobre o cérebro. Quando nos encontramos na rede, devido aos seus estímulos sensoriais e cognitivos, a nossa leitura torna-se descuidada, o nosso pensamento torna-se distraído e apressado e a nossa aprendizagem torna-se superficial. A internet disponibiliza-nos uma série de recompensas, que nos são apresentadas a grande velocidade, controlando toda a nossa atenção. Como contradição, depois de conquistar a nossa atenção, dispersa-a com os estímulos mais variados. Nós aceitamos a falta de concentração e de focalização, consentimos a divisão da nossa atenção e a fragmentação dos nossos pensamentos, em troca da abundância de informação empolgante ou, pelo menos, divertida.

Hamilton, J. referindo-se a uma investigação de Etienne Koechlin diz que “ Ofereceram recompensas às pessoas para fazer três coisas ao mesmo tempo. E quando as pessoas começaram a terceira tarefa, um dos objetivos iniciais desapareceu de seus cérebros – disse Koechlin. As pessoas também abrandaram e fizeram muitos mais erros.” (Hamilton, J. 2010). Mas por outro lado Rheingold, H. afirma que “A informação digital tem demonstrado seu potencial para levar à distração, desumanização e ilusão. Por outro lado, essas mesmas tecnologias também possibilitam o pensamento avançado, a descoberta de novos conhecimentos, colaboração e cooperação em escalas sem precedentes.” (Rheingold, H.  2012, Pág. 39).

8- A Igreja Google

Este capítulo inicia-se com uma explanação sobre o taylorismo e de como o sistema ainda está presente entre nós, continua a ser um dos fundamentos da indústria manufaturada. O modelo, antes aplicado ao trabalho manual, também se aplica à internet, uma máquina constantemente melhorada no sentido de conseguir uma, cada vez mais rápida e precisa, busca, transmissão e manipulação de informação através da sistematização e quantificação dos dados. Como consequência da influência que a internet exerce sobre nós, o modelo de Taylor também está a gerir o reino do pensamento. O autor acusa a empresa Google de ser uma das principais causas desse fenómeno. Afirma que “a empresa realiza milhares de experiências por dia e usa os resultados para refinar os algoritmos, que guiam o modo como encontramos informação e retiramos significado dela. Aquilo que Taylor fez para o trabalho manual, a Google está a fazer para o trabalho mental.” e “de acordo com a visão da Google, a informação é uma espécie de mercadoria, um recurso utilitário que pode, e deve, ser extraído e processado com eficiência industrial”. (Carr, N. 2012, pag.189,191).

Outra crítica que Carr faz à empresa Google relaciona-se com a sua tentativa de digitalizar todos os livros e colocá-los online. Além das críticas à perspetiva economicista da iniciativa, o autor afirma que “para tornar um livro possível de ser descoberto e pesquisado online é necessário desmembrá-lo. Sacrifica-se a coesão do seu texto, a linearidade do seu argumento ou narrativa, tal como flui ao longo das suas páginas… Sacrifica-se também o silêncio que foi «parte do sentido» do códex.” (Carr, N. 2012, pag.206).

9 –  Procura, memória

No capítulo nove, Carr analisa o conhecimento que existe sobre a nossa memória e critica a influência negativa que a internet está exercendo sobre a nossa capacidade de guardar conhecimento. Pelo efeito que tem sobre a memória, a internet é uma tecnologia do esquecimento” deixa dormentes a memória, a imaginação e a criatividade. “As memórias de curto prazo não se tornam memórias a longo prazo imediatamente, e o processo da sua consolidação é delicado. Qualquer perturbação, quer um murro na cabeça ou uma simples distração, pode varrer as memórias nascentes da mente. Estudos subsequentes confirmaram a existência de memórias a curto prazo e memórias a longo prazo, e proporcionaram provas adicionais da importância da fase de consolidação durante a quais as primeiras se transformaram nas últimas.” (Carr, N. 2012, pag.228-229). O que marca a diferença entre o que vamos lembrar e o que vamos esquecer é a atenção que vamos disponibilizar no processo de aquisição. Quando estamos online a nossa memória de curto prazo é sobrecarregada, tornando a nossa concentração mais difícil. A internet dispersa a nossa atenção e como consequência, as aprendizagens que fazemos e a informação que absorvemos online, é esquecida. Kobi Rosenblum, citado por Carr, afirma que “Enquanto que um cérebro artificial absorve informação e imediatamente a guarda na sua memória, o cérebro humano continua a processar a informação muito tempo depois de a ter recebido, e a qualidade das memórias depende de como a informação é processada. A memória biológica está viva. A memória de computador não está.” (Carr, N. 2012, pag.237).

10 – Uma coisa igual a mim

No capítulo 10, Carr começa por descrever o programa Eliza, desenvolvido por Joseph Weizenbaum e da reação negativa que este teve quando começaram a usar o programa indevidamente, querendo dar-lhe qualidades humanas. Ao demonstrar o seu descontentamento através do seu livro “Computer Power and Human Reason” (1976), Weizenbaum foi marginalizado pela comunidade científica ligada à computação, especialmente por quem fazia pesquisas em inteligência artificial.

Para o autor, existem muitas pessoas a defender os benefícios da internet sobre as nossas mentes e existem muitas outras que gostariam também de acreditar nesses benefícios. Entre essas vozes encontra-se a de Howard Rheingold que, citando Robert Logan, afirma que “A utilização de computadores para resolver problemas humanos através da mediação de linguagens simbólicas tornou-se a “quinta língua”, segundo Logan, juntamente com a fala, o alfabeto, a matemática, as ciências e a impressão. O uso dos meios de comunicação baseados na Internet, na visão de Logan, é a sexta língua.” (Rheingold, H. 2012, Pág. 30). Mas Carr alerta-nos para o fato de que não nos podemos esquecer do reverso da medalha relativamente aos avanços tecnológicos. Existe uma grande competição, entre empresas produtoras de software, para criar programas que executem as nossas tarefas mentais, programas que nos libertem do esforço de pensar e que pensem por nós. Não nos podemos esquecer que “Em alguns casos a alienação é precisamente o que confere valor à ferramenta. Nós construímos casas e fabricamos blusões de penas porque queremos ser alienados do vento da chuva e do frio.” (Carr, N. 2012, pag.260) e que quando criamos ferramentas que pensem por nós ficamos mais propensos a diminuir a nossa capacidade cerebral, subtilmente, sem nos apercebermos disso. “Quando um trabalhador, para abrir uma vala, troca a sua pá por uma retroescavadora, os músculos dos seus braços ficam mais fracos, apesar de a sua eficiência aumentar. Uma troca semelhante pode muito bem ter lugar quando automatizamos o trabalho da mente.” (Carr, N. 2012, pag.265-266).

Epílogo, “Elementos Humanos” e Posfácio

O autor, no final do livro, reforça a ideia de que a Internet alterou e reduziu a sua capacidade de concentração e refere que não é um problema pessoal, muitos outros autores reconhecem que sentem os mesmos sintomas. Também afirma que este problema não é referente apenas aos jovens, aplica-se a toda a todas as faixas etárias, “A Cultura da internet não é a cultura da juventude; é a cultura dominante.” (Carr, N. 2012, pag.279). Embora seja difícil de combater a atração que a internet exerce sobre nós, Carr reconhece que já começam a surgir alguns mecanismos de defesa e termina o seu livro fazendo um apelo à manutenção da lucidez, da reflexão e do espírito crítico sobre como a internet está a transformar o nosso cérebro, memória, atenção e pensamento. Conclui convidando-nos a juntarmo-nos a ele nesta viagem contra a corrente.

Na outra extremidade do continuum, muito mais otimista em relação à internet e às novas “ferramentas da mente”, encontra-se Howard Rheingold. Este afirma que Metacognição, abstração, cognição social aumentada, inteligência coletiva e colaboração estigmérgica – todas grandes ideias e todas apresentadas como prováveis ​​entradas para o desenho da extensão-da-mente. Não são uma lista exaustiva de formas que, em si, nos vão fornecer as melhores ferramentas, mas são métodos e ideias que podem ajudar as pessoas a resolver problemas em conjunto, utilizando ferramentas digitais. São um começo… Confrontados com a ameaça de alterações ambientais graves, os nossos antepassados ​​inventaram a linguagem e a escrita. Parece evidente que enfrentamos novamente um ponto de inflexão na história da nossa espécie onde melhores ferramentas podem fazer a diferença entre o avanço e a extinção. É hora de projetar as nossas ferramentas digitais mais conscientemente. Elas são e podem vir a ser incríveis solucionadoras de problemas. E, sendo assim, mudanças incríveis aguardam.” (Rheingold, H. 2012, Pág. 42). Julgo que o que está para vir não será tão negro como profetiza Nicholas Carr nem partilho do otimismo exacerbado de Howard Rheingold. Estamos perante um ponto de viragem na história da humanidade, mas, como sempre, o Homem seguirá em frente com todos os defeitos e virtudes inerentes à sua condição.

O que está para vir? O futuro o dirá!

Referências:

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Avaliação em Contextos de eLearning – Relatório Final da Unidade Curricular

Avaliação em Contextos de eLearning

Relatório Final da Unidade Curricular

Introdução

O presente relatório pretende relatar a minha experiência na Unidade Curricular “Avaliação em Contextos de eLearning”. Durante o semestre, ao longo de 4 atividades e da elaboração deste Relatório Final, estive envolvido na frequência de uma aprendizagem, que por vezes se pautou por um ritmo acelerado o qual, muitas vezes, me foi difícil acompanhar, mas que me permitiu chegar ao fim com as competências necessárias para conseguir definir os princípios e processos de avaliação da formação em cursos em ambiente online e identificar indicadores que me permitem aferir a qualidade desses processos nas suas variadas vertentes. Simultaneamente, a frequência da Unidade Curricular permitiu-me analisar e tomar consciência da problemática da avaliação relativamente a aprendizagens em contextos de formação online, os seus fundamentos teóricos, as suas modalidades e estratégias de avaliação e, perante este contexto, que ferramentas e instrumentos de avaliação podem ser utilizados. Vamos então começar por relatar a primeira atividade.

Atividade 1

A minha atividade em Avaliação em Contexto de Elearning começou um pouco mais tarde do que para a maioria dos colegas. Devido a umas confusões iniciais, relativas a matrículas e que agora não têm importância para o caso, comecei a frequentar a UC já os colegas tinham iniciado a atividade 2. Depois de eu pedir orientações sobre de que forma poderia colmatar o meu atraso, a professora aconselhou-me a ler o texto base da atividade 1 – “ A Avaliação em Educação: da linearidade dos usos à complexidade das práticas” de Jorge Pinto, de modo a ficar, a par com os colegas, por dentro da perspetiva de avaliação global que foi discutida na referida atividade.

Depois de ler o texto proposto e os “posts” dos colegas no fórum de discussão da atividade 1 apercebi-me que, cada vez mais, existe uma aceitação generalizada, a todos os níveis, relativamente à necessidade da avaliação. Mas, simultaneamente, também me apercebi que existe uma opinião geral de que só o que foi previamente avaliado é credível e tem valor. Apercebi-me, através do texto e com base nos comentários que refletem a experiência individual dos colegas que, de modo geral, dá-se uma grande importância ao facto de que algo foi ou não submetido a avaliação e presta-se pouca atenção ao modo como essa avaliação foi executada. O importante é existir um valor que quantifique, que categorize e escalone. Perante esta tendência Jorge Pinto alerta para o facto de que, se não existir uma reflexão profunda e integradora entre as finalidades, os objetos e as metodologias da avaliação, poder-se-á correr o risco de banalização e esvaziamento de sentido da avaliação.

A problemática da avaliação e a sua evolução ou mudança de paradigma toma particular importância quando esta se refere ao ensino à distância. Só a avaliação pode validar o reconhecimento e a certificação que o ensino à distância sempre procurou mas, simultaneamente, a mesma avaliação tem de ser aplicada em moldes diferentes da aprendizagem presencial. A emergência da componente elearning do ensino à distância tem vindo a demonstrar que a avaliação neste tipo de aprendizagem, contrariamente ao ensino presencial, e devido às diferentes dinâmicas que se verificam entre os vários intervenientes, ainda tem muito espaço para evoluir. A avaliação na aprendizagem em elearning ainda tem um longo caminho a percorrer.

Atividade 2

Como referi anteriormente, já decorria a atividade 2 quando ingressei na UC. Assim que pude aceder à mesma, na plataforma de elearning, fui averiguar quais eram os objetivos da atividade e o que era solicitado aos alunos. Os objetivos da UC consistiam em “Perspetivar a especificidade da avaliação pedagógica em contextos de elearning” e “Analisar princípios teóricos de avaliação em Elearning” e era esperado que, depois de a turma se constituir em grupos, lesse dois dos três textos propostos: “Designing online learning assessment throught alternative approaches facing the concerns” de Mateo, J. e Sangrá, A., “Quality in Online Delivery: What does it mean for assessment in E-Learning Environments?” de McLoughlin, C. e Luca, J. e “A Cultura da Avaliação: que dimensões?” de Pereira, A., Oliveira, I. e Tinoca, L. Também era solicitado que o grupo lesse mais um texto, escolhido por si.

Seguidamente os grupos passariam à elaboração de  um documento, colaborativamente, onde sintetizaram as especificidades da avaliação em contextos de Elearning e exporiam as grandes linhas de força dos textos escolhidos.

Como cheguei tardiamente, já os grupos estavam formados. Pedi para ser “adotado” pelo grupo 3, era o grupo que tinha menos elementos, e fui aceite. O texto que o grupo 3 acrescentou às leituras foi “Problemáticas da Avaliação em Educação Online” de Gomes, M.

O grupo de que passei a fazer parte, para a elaboração do documento pretendido, organizou-se e partilhou um documento no Google docs. Desta forma pôde trabalhar colaborativamente, de umas vezes de modo assíncrono e de outras, sincronamente.

Perante a leitura dos textos, com a elaboração do trabalho de grupo e posteriormente com a discussão no fórum dedicado à atividade, fiquei a conhecer as alterações e os desafios que o elearning trouxe para a temática da avaliação. Estas alterações tomaram maiores proporções depois de ser implementado o Processo de Bolonha onde foi apresentado um novo paradigma de ensino superior baseado mais nas competências e não apenas em objetivos. O surgimento dos Programas de Avaliação de Competências enfatiza os métodos utilizados pela edumetria em detrimento dos métodos utilizados pela psicometria, tentando focar-se mais no desenvolvimento do aluno do que medir as diferenças entre alunos. Recorrendo a estes métodos de avaliação de competências, os resultados apresentarão critérios mais válidos e justos, valorizando a função formadora e procurando a flexibilidade e autenticidade da avaliação.

Uma das particularidades da avaliação em eLearning prende-se com a dificuldade em verificar a identidade dos alunos. Desta forma, de modo a que a credibilidade da mesma seja garantida, as ferramentas de avaliação devem ser empregues em qualidade e simultaneamente em quantidade e, independentemente da importância dada a cada uma das funções da avaliação, diagnóstica, formativa ou sumativa, não deve estar apenas presente a preocupação com a avaliação do aprendizado dos estudantes mas também a avaliação dos próprios cursos, numa perspetiva que abranja a autenticidade, a consistência, transparência e praticabilidade.

Todos os intervenientes no processo de aprendizagem em regime de elearning têm de estar conscientes de que os aprendentes e os próprios cursos em si devem ser submetidos a uma forma de avaliação holística, participativa e formativa de modo a ser garantida a credibilidade a este tipo de ensino.

Atividade 3

A abertura da atividade 3 surge com uma temática que, para mim, foi uma novidade. O objetivo da atividade consistia em “Analisar e caraterizar instrumentos de avaliação alternativos em contextos de elearning: E-portefólios, Fóruns e Wikis”. A turma organizou-se em grupos e, em função da ferramenta de avaliação que escolheu para trabalhar, escolheu entre os textos propostos, os que lhe interessavam. O meu grupo decidiu desenvolver o seu trabalho tendo por base os “Fóruns de Discussão”. Começamos por ler os textos “A contribuição do fórum de discussão para o aprendizado do aluno: Uma experiência com estudantes de administração” de Jacobsohn, L. e Fleury, M., “Measuring the quantity and quality of online discussion group interaction” de Nisbet, D., “Asynchronous discussions and assessment in online learning” de Vonderwell, S., Liang, X., e Alderman, K., “An analysis of an assessment model for participation in online forums” de Wee, M. e Abdullah, A. e a página “Uso de fóruns no ensino” do site GeoEscola. Depois de terminadas as leitura passamos aos trabalhos práticos. O grupo decidiu apresentar o seu trabalho em formato powerpoint e partilhá-lo no Slideshare, mas antes de o passar à versão final trabalhamos colaborativamente no Google docs, esta forma de trabalhar em grupo permite-nos trabalhar de forma síncrona ou assíncrona e, quando trabalhamos sincronamente, ainda nos permite trocar ideias e opiniões através de uma janela de chat.

A elaboração deste trabalho permitiu-me aprofundar os meus conhecimentos sobre as vantagens e desvantagens de utilizar fóruns de discussão como ferramenta de avaliação em aprendizagem em regime de elearning que, devido às suas caraterísticas específicas, muda a seleção, monitorização e a gestão das atividades avaliativas e onde o papel do professor deixa de ser central no decurso da ação formativa para passar a desempenhar o papel de facilitador, mentor ou orientador das aprendizagens.

Devido às suas características específicas, devido à sua potencialidade para avaliar a participação e evolução dos alunos, os fóruns podem ser utilizados como um excelente instrumento de avaliação sumativa mas, simultaneamente, também funciona como um instrumento de avaliação formativa que através da possibilidade constante da verificação da evolução da aprendizagem, permite adaptar o ensino e a aprendizagem às reais necessidades dos alunos.

Depois de cada grupo apresentar o seu powerpoint, a turma, toda ela, discutiu as vantagens, e eventualmente as desvantagens, da utilização dos e-portefólios, dos fóruns de discussão e das wikis como ferramentas alternativas de avaliação. Verificamos que os fóruns e as Wikis têm a capacidade atingir objetivos de aprendizagem bastante ambiciosos visto que têm a possibilidade de incorporar as sugestões e as conclusões de todos os elementos do grupo de trabalho. Estimulam os alunos a aprenderem em interação, a respeitarem e darem valor aos conhecimentos dos outros e todos beneficiam com o saber e com as experiências de cada um. Permitem a formação de comunidades de aprendizagem, as relações entre alunos são estimuladas, quanto mais troca de ideias existir, maior será o interesse e o compromisso entre os alunos. Ao mesmo tempo, os e-portfólios possibilitam ao aluno a construção de percursos individuais de aprendizagem e estimulam a autorreflexão, autorregulação e metacognição. Outra caraterística, inerentemente a estes objetos de avaliação, que ficou demonstrada durante a atividade 3 é que eles promovem a transparência no processo de aprendizagem.

 

Atividade 4

Com a abertura da atividade 4, uma nova tarefa é atribuída à turma. O objetivo desta atividade consistiu em “Definir procedimentos e critérios de avaliação para atividades de uma disciplina de um curso online” e a turma teve, como tarefa final, de elaborar um design de avaliação onde teriam de estar definidos os procedimentos e critérios de avaliação para as componentes “Atividades da UC” e “Fóruns de Discussão” ou seja, seriamos nós a definir como seria avaliada toda a nossa participação na UC até aquela data. Antes de iniciarmos o trabalho no design de avaliação propriamente dito, começamos por dividir a turma em três grupos. Seguidamente os grupos leram o texto de Stella Porto, proposto pela professora, “A Avaliação da Aprendizagem no Ambiente online” e só depois os grupos passaram à elaboração dos seus designs de avaliação. O grupo onde eu fiquei, mais uma vez, escolheu o Google docs para trabalhar. É na verdade, devido às suas capacidades, uma excelente ferramenta para trabalhar colaborativamente. Na elaboração do design a ser proposto, o grupo a que eu pertencia, teve em atenção que qualquer avaliação, seja ela em regime de elearning ou presencial, deve responder sempre às seguintes questões: Os alunos estão a aprender? O que é que os alunos estão a aprender? Como é que os alunos estão a aprender? Estou a ensinar o que quero que aprendam? Como posso fazer isso melhor? Mas, independentemente de estas perguntas terem de ser, continuamente respondidas, um desing de avaliação, em elearning, tem de ser previamente definido, discutido e acordado entre professor e aluno.

Quando todos os grupos terminaram as suas propostas de design apresentaram-nas ao resto da turma e passou-se à discussão, no fórum geral, de como seria o design de avaliação de toda a turma. As três propostas apresentavam grandes diferenças entre si e ouve algum impasse nesta altura. Mais tarde o consenso chegou e ficou decidido que, tendo por base a proposta do grupo 2, toda a turma, colaborativamente, recorrendo mais uma vez ao Google docs, iria fazer um design de avaliação que recolhesse o consenso geral. Neste ponto percebi que trabalhar colaborativamente com muitas pessoas e conseguir um acordo unânime não é tarefa fácil. As opiniões divergiram entre a utilização, ou não, de grelhas, que competências, tarefas e rubricas seriam avaliados e quais seriam os critérios. Também existiu a proposta de a avaliação ser feita entre pares. Depois de discutidas todas as propostas, tendo presente que o prazo de entrega inicial já estava ultrapassado e a extensão de prazo dado pela professora já se aproximava do fim, chegou-se ao acordo e foi terminado o design da turma.

A proposta de design final apresentada, que tentando evitar alguma subjetividade, sempre inerente a qualquer ato de avaliação, optou pela utilização de grelhas. Foi decidido entre todos que este modelo de design de avaliação, embora possa parecer redutor, é o que melhor consegue minimizar a subjetividade na avaliação.

Este trabalho colaborativo também me deixou perceber que a avaliação em qualquer das suas várias dimensões, e como elemento integrante do processo de aprendizagem, sempre permitirá a inovação e a criatividade, quer estejamos a adaptar ferramentas utilizadas no ensino tradicional ao ensino online, quer estejamos a criar ferramentas completamente novas.

Conclusão

Para concluir o relatório referente à minha frequência da Unidade Curricular “Avaliação em Contextos de eLearning” quero afirmar que hoje, depois de passar por esta experiência, entendo a avaliação da formação online de uma forma diferente. Sei que existem métodos de avaliação, utilizados no ensino presencial, que se podem aplicar a este tipo de ensino e que, da mesma forma, validam este tipo de aprendizagem. Mas esta modalidade de ensino, devido às suas caraterísticas específicas, pelo tipo de relação entre os intervenientes, pelos meios tecnológicos que utiliza, pela dificuldade que sente em comprovar a identidade dos seus formandos e também por alguma desconfiança demonstrada por alguns setores da sociedade, deve ser alvo de ferramentas e técnicas de avaliação específicas. O ensino online, através de uma avaliação formativa continuada e recorrendo a processos de autorregulação, deve fazer uma ponte entre a avaliação do aprendizado do aluno e a avaliação dos cursos em si. Só desta forma o ensino online conseguirá a creditação e a validação, exigidos pela sociedade, que lhe garantirão a credibilidade necessária à sua continuação, à sua evolução como método e ao aumento da sua abrangência como modelo de ensino.

Referências:

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Pensar o progresso a longo prazo

Elaborado no âmbito da participação no iMOOCAC13

Verifica-se, cada vez mais, os impactos das alterações climáticas, na vida das pessoas, aos mais diversos níveis. Estes impactos tanto se verificam em situações específicas, regionalmente, como se verificam de modo genérico à escala global. Não é possível continuar a adiar a redução das emissões de gases com efeito de estufa. As emissões de dióxido de carbono para a atmosfera têm de ser reduzidas e, simultaneamente, têm de se criar caminhos que levem à adaptação de modo a minimizar os seus efeitos catastróficos.

Verifica-se, a nível global, um desacordo entre o uso de combustíveis fosseis ou a diminuição da utilização destes. A passagem para a utilização de fontes de energia renováveis e ecológicas, a diminuição da dependência do petróleo e a quantidade permitida de dióxido de carbono libertada para a atmosfera são pontos de choque que impossibilitam um entendimento que leve ao desenvolvimento sustentável. Este impasse impossibilita que se verifique um aumento da qualidade de vida, ou pelo menos a manutenção da mesma, das gerações atuais assim como das gerações futuras.

A necessidade de encontrar respostas efetivas à problemática das alterações climatéricas, quer elas sejam adaptativas ou de mitigação, e de encontrar estratégias de desenvolvimento sustentável, deve ser encarada como um dever social, um dever de cidadania e não apenas algo que deixamos nas mãos dos políticos para resolverem por nós. A política ambiental e a postura perante os desafios ecológicos deve ser um dos fatores principais, pelos quais, escolhemos os políticos que nos representam. É preciso interiorizar que o progresso consumista ilimitado tem os dias contados e que o desenvolvimento tem de ser pensado com uma preocupação constante no futuro e nas gerações vindouras. Não podemos esperar que esta mudança seja para um estado de harmonia mas antes para um estado onde a exploração dos recursos seja gerida sempre com uma visão de futuro e não numa perspetiva de curto prazo.

“Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça económica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações.” (A Carta da Terra, 2004).

e-cumps 🙂

João Henriques

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Artefacto 2

Elaborado no âmbito da participação no iMOOCAC13

 

Artefacto elaborado como resposta ao solicitado durante o decorrer da semana 7 (Artefacto 2) do iMOOC13 – Alterações Climáticas: o contexto das experiências de vida, da Universidade Aberta.

 

 

e-cumps 🙂

 

João Henriques

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Alterações climáticas – impasse político

Elaborado no âmbito da participação no iMOOCAC13

 

Mapa Conceptual iMOOC.

As temperaturas médias do Planeta têm vido a aumentar a grande velocidade. Apesar de esse aquecimento ser causado, em parte, por causas naturais, o maior causador desse aquecimento é o homem. As causas são antropogénicas. São os gases com efeito de estufa, libertados essencialmente pelo consumo de combustíveis fósseis, que estão a provocar a aceleração do aquecimento da Terra. A solução tem de passar por um compromisso, à escala global, de redução de GEE. Os países ricos, que desde a Revolução Industrial vêm a libertar grandes quantidades de CO2 para a atmosfera, portanto os principais causadores do aumento de CEE na atmosfera, defendem que os custos da mitigação e/ou adaptação devem ser repartidos por todos os países. Por outro lado, os países em desenvolvimento, como não foram os agentes provocadores do aquecimento global verificado, apesar de quererem participar na solução, são da opinião que os maiores custos devem ser imputados aos países industrializados, causadores da situação e, simultaneamente, defendem que devem continuar a ter permissão para poder libertar elevadas quantidades de CO2 de modo a que as suas economias continuem a desenvolver-se, o nível da qualidade de vida das suas populações aumente e estes se possam aproximar dos países ricos. Estas duas posturas perante o problema leva a que as negociações entre países e regiões resultem sempre num impasse levando a que as mesmas falhem, não produzindo qualquer compromisso ou tendo como resultado compromissos insignificantes perante a grandeza do problema. Cada dia que passa sem um acordo global é um dia em que não há uma solução à vista e é um dia em que nada foi feito. Até quando?

e-cumps 🙂

João Henriques

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Artefacto 1 – Alterações Climáticas: o contexto das experiências de vida

Elaborado no âmbito da participação no iMOOCAC13

O Relatório Stern veio demonstrar o que, há muito, a comunidade científica vinha a alertar. O Planeta está a aquecer a uma velocidade nunca antes vista e as causas desse fenómeno são antropogénicas. É o Homem, através do consumo de combustíveis fósseis, que está a libertar dióxido de carbono para a atmosfera e a provocar o aumento dos gases com efeito de estufa. Desde o século XVIII que a temperatura média da terra tem vindo a aumentar rapidamente. Segundo Schellnhuber, J. (2010)[2], as regiões polares funcionam como os termóstatos da terra, através de correntes de ar frio e de correntes marítimas frias, mantêm a temperatura da terra equilibrada, podendo este processo, de alguma forma, ser comparado ao sistema circulatório humano que, através do fluxo de sangue regula a temperatura global do corpo e a sua necessidade de oxigénio. Com o aumento das emissões dos gases com efeito de estufa a passar o teto de 500 ppm CO2 o limite de estabilidade da camada de gelo da Antártida será ultrapassado e, a verificar-se este cenário, dificilmente se voltará a formar a criosfera. Inevitavelmente, os custos pela inação serão irremediavelmente muito superiores aos custos inerentes à mitigação.

O caminho será o das soluções ecológicas através de, por exemplo, a utilização de energia eólica ou solar ou, com o recurso a novas tecnologias, tentar encontrar formas de energia alternativas. Coma libertação da dependência dos combustíveis fósseis e o investimento em energias alternativas não poluentes a economia poderá continuar a crescer. No sítio da Comissão Europeia, num artigo relativo ao crescimento sustentável [1], é referido que com a redução, até 2020, de 60 mil milhões de euros na fatura energética relativa à importação de petróleo e, consequentemente, com a supressão de 20 por cento das necessidades da europa através de energias renováveis irá levar à criação de mais de 600 000 postos de trabalho diretos e de 400 000 postos de trabalho adicionais. Esta alteração no mercado europeu da energia poderá vir a criar um aumento do produto interno bruto na ordem dos 0,6% a 0,8%.

Também um mercado de carbono eficaz reduzirá grandemente a quantidade de carbono libertado para a atmosfera. Por todo o mundo em vias de desenvolvimento as florestas tropicais estão a ser abatidas em troca de lucros que, num mercado de carbono em funcionamento, deixariam de acontecer face aos benefícios económicos da sua conservação.

As alterações climáticas e o seu impacto nas populações, resultado dos desastres naturais consequentes, é algo que tem diferentes repercussões sociais quer estejamos a falar de países ricos ou a falar de países em desenvolvimento. Os países ricos, com recursos financeiros e melhores infraestruturas, conseguem proteger-se melhor que os países em desenvolvimento que têm poucos recursos para fazerem frente aos desastres ecológicos. A solução para estes desastres está no apoio financeiro que os países desenvolvidos podem fornecer aos países em desenvolvimento. Algumas das comunidades mais pobres e vulneráveis já se encontram a sofrer os efeitos das alterações climáticas. Vão ser sentidos, ainda durante as nossas vidas, os efeitos que as secas, tempestades tropicais, subida dos níveis do mar e perturbações climatéricas acentuadas irão provocar em zonas costeiras, extensas áreas de África e pequenos estados insulares.

Segundo o Relatório de Desenvolvimento Humano 2007/2008 [3], “Estes efeitos, a curto prazo, podem não ser muito significativos em termos da totalidade do produto interno bruto (PIB) mundial. Mas para alguns dos mais pobres povos da Terra, as consequências poderiam ser apocalípticas. A longo prazo, as alterações climáticas são uma ameaça massiva ao desenvolvimento humano e, em alguns lugares, já minam os esforços da comunidade internacional para reduzir a pobreza extrema.”

Continuo dividido. Continuo sem estar convicto quanto à precisão científica das previsões do Relatório Stern. Apesar de Nicholas Stern, em 2013[4], afirmar que o erro do seu relatório de 2006 tinha sido só um, que este teria sido muito otimista relativamente aos desastres ecológicos que nos esperam se mantivermos a atual política energética e a mesma passividade na resolução do problema. Mas há algo quanto ao qual eu não tenho qualquer dúvida. Relativamente ao problema que temos entre mãos, não devemos fazer a experiência, não vamos testar se os modelos de Stern estão corretos e se as suas previsões são fidedignas. Se, efetivamente, se vier a verificar que os seus modelos e as suas previsões estavam corretos, então já não teremos uma Terra que nos sirva de lar.

Referências:

 [1] Comissão Europeia – Europa 2020 (2012). Crescimento sustentável: para uma economia eficiente na utilização dos recursos, mais ecológica e mais competitiva. Acedido em

 http://ec.europa.eu/europe2020/europe-2020-in-a-nutshell/priorities/sustainable-growth/index_pt.htm

[2] Glikson, A. (2010). Co2 mass extinction of species and climate change. Counter Currents, Acedido em http://www.countercurrents.org/glikson220210.htm

[3] Relatório de Desenvolvimento Humano 2007/2008 (2007) – Combater as alterações climáticas: Solidariedade humana num mundo dividido, Publicado para o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Acedido em

 http://hdr.undp.org/en/media/HDR_20072008_PT_complete.pdf

[4] Stewart, H., & Elliott, L. (2013). Nicholas stern: ‘i got it wrong on climate change – it’s far, far worse’. The Guardian, Acedido em

 http://www.guardian.co.uk/environment/2013/jan/27/nicholas-stern-climate-change-davos

e-cumps 🙂

João Henriques

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