Recursos Educativos Digitais: As preferências dos utilizadores

Artigo elaborado no âmbito do tema 2 da Unidade Curricular – Metodologia de Investigação em Contexto Online

 

Resumo

A evolução tecnológica é algo inerente à existência humana, mas nunca aconteceu de forma tão rápida. As alterações que essas mudanças tecnológicas contínuas impõem na sociedade são transversais a todos os setores. A evolução tecnológica, através das tecnologias de informação e comunicação, estão a alterar antigos paradigmas existentes na educação. Uma das áreas onde a tecnologia mais está a alterar o que estava anteriormente instituído é o setor dos recursos educativos. As TIC trouxeram para o panorama da educação os Recursos Educativos Digitais. Estes recursos, de formato digital, tem a capacidade de poderem ser distribuídos através da rede. Devido às suas caraterísticas, podem ser utilizados, editados, modificados reutilizados e novamente partilhados tornando o preço da educação mais acessível com capacidade de chegar a mais alunos. Também têm a capacidade de, devido à possibilidade de apresentarem um aspeto mais atrativo, poder tornar a aprendizagem uma tarefa mais prazenteira. Este trabalho debruça-se sobre o modo como esses recursos educativos digitais são construídos, sobre o modo como poderão e deverão vir a ser elaborados e quais as caraterísticas que os mesmos deverão ter para conseguirem ser mais atrativos para os seus utilizadores e, desta forma, facilitar uma aprendizagem mais efetiva e tornar o ato de aprender numa tarefa menos monótona.

Palavras-Chave: Recursos Educativos Digitais; RED; Recursos Educativos Abertos, REA.

 

Abstract

The technological evolution is inherent to human existence, but never had happened so quickly. The Changes that technological evolution imposes in society cut across all sectors. Technological developments, through information and communication technologies, are changing old paradigms in education. One of the areas where technology is changing what was established is the sector of educational resources. ICTs have brought to the education landscape the Digital Educational Resources. These features in digital format have the capability of being able to be distributed through the network. Due to its characteristics, they may be used, edited, modified, reused and shared again making the education price more affordable with the ability to reach more students. Also have the ability, because the possibility of presenting a more attractive appearance, make learning a more pleasant task. This paper focuses on how these digital learning resources are built, on how they can and are expected to be prepared and what features that they must have to achieve to be more attractive to users and thus facilitate a more effective learning and make the act of learning a less monotonous task.

Keywords : Digital Educational Resources ; RED ; Open Educational Resources , OER.

 

A evolução tecnológica na educação

A constante evolução tecnológica é uma realidade a que todas as sociedades estão subordinadas. Sempre foi uma realidade desde os primórdios da Humanidade. Mas nunca, como agora, a evolução foi tão rápida, o que hoje é novo amanhã está obsoleto e já foi substituído. Essa evolução é transversal a todas as áreas onde haja atividade humana e, como não poderia ser de outro modo, entrou nas escolas e está a impor, a todos os profissionais ligados ao ensino, a uma mudança de paradigma. O ensino e o modo como este é concretizado, estão a sofrer alterações radicais impostas pelo avanço tecnológico. Apesar de existir alguma resistência ou atrito, que tem vindo gradualmente a diminuir, por parte de alguns elementos ou setores da educação, relativamente à implementação nas escolas, de novas pedagogias, tendo por base as tecnologias de informação e comunicação, a mudança está a acontecer e já não é possível um retrocesso no processo.

As Tecnologias da Informação e Comunicação, atualmente, não se ficam só pelos PCs e pela ligação destes à internet. Existe hoje uma panóplia de novos equipamentos e gadgets tais como os netbooks, tablets e smartphones que têm invadido o mercado e, consequentemente, passam a ser propriedade de jovens e menos jovens passando a fazer parte da nossa vida, passando a ter uma importância vital nas tarefas do nosso dia-a-dia. Estes equipamentos tecnológicos estão munidos de variadas aplicações e possuem a capacidade de serem personalizados por uma grande quantidade de outras, disponíveis online, onde podem ser livremente descarregadas pelos utilizadores. Estas aplicações podem ser destinadas às mais variadas finalidades. Elas podem ser jogos, aplicações de ligação a redes socias, leitores de vídeo, imagem ou som, aplicações de georreferenciação entre muitos outros tipos de aplicações que, a par da sua componente lúdica, podem ser utilizadas em outras áreas como por exemplo na educação.

A potencialidade destas tecnologias é enorme, o limite encontra-se onde termina a imaginação, perante isto surge um desejo inevitável de as aplicar ao ensino e, ao mesmo tempo, nasce uma curiosidade enorme em saber quais as mais-valias e que vantagens estas trazem à aprendizagem.

“No espaço escolar, a utilização e integração cada vez maior das tecnologias da informação e da comunicação (TIC), em geral, coloca novos desafios pedagógicos e obriga à redefinição dos papéis dos diferentes parceiros no processo educativo. Neste sentido, as TIC podem ser encaradas como um reforço aos métodos tradicionais de ensino ou como uma forma de renovação das oportunidades de aprendizagem. O que se discute aqui é exatamente a integração das tecnologias no currículo escolar, enquanto potenciadoras de novas possibilidades de êxito no processo de ensino e aprendizagem.” Barros e Henriques (2011 p.8).

Recentemente verificou-se, a nível governamental, um esforço no sentido de equipar as escolas com material informático. Esse esforço foi mais longe e, através de facilidades na aquisição, pretendeu equipar todos os aprendentes, jovens e adultos, com computador pessoal. Esta disseminação de novos equipamentos informáticos permitiu o aumento do número de alunos com acesso a uma nova variedade de conteúdos educacionais.

 

A evolução dos recursos educativos

Os conteúdos educativos convencionais, perante as alterações verificadas, impostas pela evolução tecnológica, foram também eles, obrigados a mudar. Cada vez mais o antigo suporte em papel dá lugar ao suporte digital. Os livros vão sendo, gradualmente, apoiados e por vezes substituídos pelos CDs e DVDs. Todo o conhecimento que ao longo dos tempos ia sendo transmitido através dos livros e manuais escolares começa a ser disponibilizado em suportes que permitem uma busca mais rápida da informação. Mais recentemente, com o acesso online à “cloud”, os próprios suportes digitais físicos vão sendo ultrapassados. Facilmente um aluno ou professor acede aos seus recursos educativos, guardados em qualquer servidor online, de qualquer ponto do globo, bastando para isso ter um computador com acesso à internet. Com a libertação dos suportes físicos e o acesso aos recursos através da rede acontece um aumento da partilha e da distribuição, nunca possível com a utilização dos discos físicos. As circunstâncias referidas anteriormente incrementaram a quantidade de recursos educativos digitais disponíveis.

Numa aproximação mais prática aos conceitos, definimos software e recursos educativos digitais como entidades digitais produzidas especificamente para fins de suporte ao ensino e à aprendizagem. Neste conceito, podem ser considerados recursos educativos digitais um jogo educativo, um programa informático de modelação ou simulação, um vídeo, um programa tutorial ou de exercício prático, um ambiente de autor ou recursos mais simples na sua dimensão de desenvolvimento como um blogue, uma página web, ou uma apresentação eletrónica multimédia, etc. desde que armazenados em suporte digital e que levem em linha de conta, na sua conceção, considerações pedagógicas. Ramos et al (2011 p. 13).

Estes recursos educativos digitais surgiram de diversas proveniências. Aqueles que foram criados para fins lucrativos surgem através dos meios comerciais convencionais, em suporte físico ou são vendidos através de “sites” que permitem que se faça “download” dos mesmos, mediante o seu pagamento. Por norma, estes recursos estão protegidos por licenças que não autorizam a sua alteração e partilha. Outro tipo de recurso educacional digital é criado por instituições com o objetivo de minimizar o custo da educação e de permitir o acesso por parte dos alunos, a partir de locais de difícil acesso, à educação. Um terceiro tipo de recurso educativo digital é aquele que é produzido e partilhado por particulares, normalmente professores ou alunos e que normalmente são partilhados com licenças que permitem a sua partilha, alteração e redistribuição.

Dentro da definição de Recurso Educativo Digital cabe um grande número de recursos digitais. Todos os recursos que tenham a potencialidade de ser utilizados na educação poderão ser considerados recursos educativos. Desta forma consegue-se um grande acervo de recursos que poderão enriquecer a aprendizagem e facilitar o trabalho a professores e alunos. A abrangência deste conceito pode ajudar o investigador a descobrir e a reconhecer um grande leque de recursos disponíveis mas, por outro lado, essa mesma abrangência pode “soterrar” o utilizador que pesquisa através de um motor de busca, deixando-o na indefinição perante a grande quantidade de informação disponibilizada. O tempo despendido na consulta, avaliação e seleção da qualidade científica e pedagógica dos recursos apresentados pode ser um obstáculo aos próprios objetivos dos Recursos Educacionais, que serão, entre outros, o de facilitar a aprendizagem. Ramos et al (2011 p. 14), referindo-se à proliferação de recursos educacionais na rede afirma que:

Se essa multiplicação pode ser valiosa do ponto de vista educativo, a forma como se apresenta, o lugar onde está exposta e, muitas vezes, o seu próprio conteúdo criam dificuldades aos que têm a tarefa de ajudar os alunos a conferir e a construir um contexto interpretativo e crítico em relação a essa informação, apoiando os jovens na criação de um significado apropriado e ajustado ao seu desenvolvimento pessoal e intelectual.

Ao mesmo tempo, através de outro prisma, situa-se a discussão sobre o que pode ser considerado, ou não, recurso educacional. Qual é a fronteira? Quais são as caraterísticas que um recurso deve possuir para poder ser considerado, ou não, educacional? Um qualquer artefacto que tenha sido criado para qualquer fim que não seja o ensino, que seja deixado online, e mais tarde venha a mostrar-se com interesse pedagógico, transformar-se-á num recurso educativo. Não será verdade que, no limite, qualquer recurso digital poderá ter algum valor pedagógico?

Também existe a questão da dificuldade que muitas vezes se coloca relativamente à verificação da validade da informação apresentada pelo recurso. Muitos artefactos dispersos pela rede aparentam ser excelentes apoios à aprendizagem mas a informação por eles disponibilizada é, muitas vezes, deficiente ou falsa.

Outro problema inerente à proliferação de recursos educacionais prende-se com o facto de muitos dos recursos disponibilizados na internet não fazerem referência ao seu autor nem à data em que foram publicados. A utilização destes recursos, por mais uteis e interessantes que possam ser, fica desta forma vedada em trabalhos académicos pela impossibilidade de ser referenciados.

Todos nós, utilizadores de recursos educacionais, somos potenciais criadores de novos recursos educacionais. Basta, para tal, que se pegue num artefacto, o alteremos adaptando-o às nossas necessidades e, como as boas práticas o aconselham, o voltemos a partilhar com o resto do mundo.

Diversos tipos de materiais para ensino e aprendizagem com conteúdo aberto estão surgindo em diversos formatos. Materiais pedagógicos interativos e mais atrativos podem ser remixados, tais como: arquivos de texto, audio, slides, vídeo, imagem e som. Várias tecnologias gratuitas para criação de REAs estão surgindo e permitindo que usuários possam reconstruir e compartilhar novos REAs dinamizando as formas de ensinar e aprender. Okada, A. (2011).

Os recursos educativos digitais podem ter os mais variados formatos. Estes podem ir desde folhas em papel digitalizadas, passando por apresentações, documentos editáveis, faixas sonoras, vídeos, softwares específicos para determinado projetos, páginas de internet, etc. Alguns desse recursos têm esse formato porque é o que melhor se adapta a determinada sessão de formação ou curso para os quais foram construídos, outros têm o formato que a literacia digital do seu criador permitiu. O capítulo de um livro, digitalizado e posteriormente colocado na rede pode ser útil para determinada sessão de formação, mas, devido ao facto de ser de difícil edição, provavelmente nunca mais vai voltar a ser utilizado. A rede é abundante em recursos educacionais que, devido ao facto de não serem apelativos, nunca mais vão ser utilizados. Estes só irão servir para inundar as buscas que forem executadas com as palavras-chave a eles associadas.

Deve fazer parte das preocupações de um criador de recursos educativos o modo como os deverá construir para que estes, primeiro, sejam apelativos para quem os vai utilizar e como segunda preocupação deve ter o cuidado de os construir de modo a que sejam facilmente editáveis e possam ser futuramente alterados para novas necessidades de aprendizagem. De preferência, e sempre que o conteúdo o permita, um recurso digital deve ser construído de modo a estimular os diversos sentidos, desta forma a aprendizagem vai ser muito mais eficaz.

Um recurso digital cujos elementos permitam a modelação, a simulação, a animação, a combinação multimédia, a interatividade (que pode assumir formas diferentes), induz certamente estratégias de ensino e modos de aprendizagem diversificadas e que podem ser orientadas para a manipulação dos objetos, para a interação com os elementos do recurso, para a observação ou representação dos fenómenos, ou ainda para a aprendizagem de conceitos e teorias através da combinação de imagens, palavras e sons, etc. Ou seja, recursos que possibilitem aos professores e alunos desenvolverem trabalho educativo diferente e com mais-valias claras, em relação ao que poderiam desenvolver com o apoio de meios tradicionais de ensino. Ramos et al (2011 p. 15).

Seria importante possuir instrumentos que nos permitissem, dentro da imensa panóplia de recursos educativos, dispersos pela rede, distinguir aqueles que, devido às suas caraterísticas, possam colaborar de modo mais eficaz na melhoria da educação e que permitissem que os professores, com o seu auxílio, pudessem melhorar a aprendizagem dos alunos. Com o auxílio de eventuais ferramentas que pudessem vir a diferenciar os recursos com mais aptidão para serem eficazes daqueles que, devido ao seu pouco valor educativo e pouco poder de atração para os aprendentes, não apresentam grandes potencialidades para virem a ser bons auxiliares na formação, o professor saberia, à partida, com quais recursos poderia alcançar melhores resultados.

 

A Produção de recursos educativos

Muitos dos recursos educacionais que se encontram na rede, mesmo em sites institucionais, são recursos convencionais convertidos em réplicas digitais. Percebe-se que houve uma preocupação em transformar recursos em papel, muitos deles de qualidade pedagógica indiscutível, no formato digital de modo a ser possível distribuí-los na rede. Houve uma preocupação, salvaguardando os direitos autorais, em converter tudo o que estava editado em formato de livro para o formato digital. É inquestionável que, dessa forma, com o passar dos tempos, a obra não se vai perder e que, assim, poderá chegar a uma infinidade de leitores que, de outra forma, era impossível alcançar. É percetível, por qualquer utilizador que aceda a estes recursos, que estes foram fabricados com uma falta de preocupação com a sua aparência, chegando mesmo a ser percetível o desinteresse pelas capacidades dos meios tecnológico com que foram fabricados. Não há dúvida que esses recursos, assim depositados na rede, conseguem chegar a um número muito maior de utilizadores do que no formato de papel mas não será, certamente, o formato mais apelativo para distribuir o conteúdo. Não será, certamente, o recurso que irá ser utilizado, reutilizado e distribuído por um grande número de utilizadores.

Colocar estes conteúdos, pouco atrativos para potenciais utilizadores, em reservatórios online não será a forma, certamente, de estimular uma aprendizagem colaborativa através da utilização de recurso s educativos digitais. O utilizador que na sua busca for inundado com este tipo de recursos irá, provavelmente, desistir de procurar, irá tentar construir o seu recurso de raiz e, possivelmente, depois de o construir, estará menos recetivo à ideia de o partilhar.

De facto, a qualidade dos recursos é um fator de extrema importância, pois dela pode depender a consecução dos objetivos fundamentais para uma aprendizagem capaz de converter a informação (matéria prima) em conhecimento (produto) (Pinto, 2007 citada por Coutinho e Sousa 2009)

Para a autora citada, apesar de qualidade ser um conceito subjetivo, esta divide-se em quatro categorias: intrínseca, contextual, representatividade e acessibilidade.

A qualidade intrínseca diz respeito ao valor da informação em si mesma. A qualidade contextual relaciona-se com o contexto no qual se acede à informação. A qualidade representativa relaciona-se com a forma como a informação é representada. É esta a qualidade que relaciona os aspetos técnicos e estruturais do recurso, tais como o formato, a clareza, a concisão, a compatibilidade, o desenho e a homogeneidade dos dados. Por fim a qualidade do acesso prende-se com o modo como se acede ao recurso. Aqui temos em conta aspetos como o tempo de espera, a navegação e a segurança.

A qualidade dos softwares existentes permite que os recursos educacionais possam ser produzidos com caraterísticas que consigam uma eficácia educativa. O sucesso da aprendizagem depende, maioritariamente, como todos sabemos, do empenho de professores e alunos mas uma das variáveis da equação relaciona-se com as experiências de aprendizagem e essas serão vividas muito mais intensamente se forem apoiadas com meios que estimulem os vários sentidos.

Quando se seleciona um recurso e é planeada a forma como o mesmo vai ser empregue, a cultura pedagógica e a condicionante do contexto curricular serão as linhas orientadoras. Será o professor que planeará a forma como irá decorrer a aprendizagem. Mas o recurso, devido ao processo de criação que está no seu historial, irá, com certeza, influenciar o que o professor poderá fazer. O recurso, como consequência das suas caraterísticas intrínsecas, de alguma forma, irá influenciar a forma como o professor vai planear e apresentar a sua aula.

A construção de um recurso de aprendizagem implica um pensamento sistemático e metódico sobre o que se pretende ensinar o que é pretendido ser aprendido. O produtor do recurso necessita avaliar todo o processo. Tem de definir o modelo de aprendizagem que vai utilizar, quais as atividades que vão ser solicitadas aos alunos e como vai avaliar a aprendizagem.

Existem recursos, de produção simples, que são elaborados por apenas um produtor. A maioria deste produtores são professores ou alunos que, ou os fabricam como apoio às suas aulas ou, no caso dos alunos, os fabricam por solicitação dos seus tutores como objeto de avaliação. Existem outros recursos, de elaboração mais complexa, que têm na sua conceção equipas completas de técnicos das mais variadas áreas que vão desde designers a programadores. Segundo Kemp e Smellie (1994, citados por Ramos et al 2011 p. 22),

Existem de diferentes níveis de sofisticação nos processos de criação de recursos educativos digitais: o nível mecânico, definido pelo uso de processos elementares, como copiar e colar uma imagem numa página web, elaborar um gráfico para uma apresentação, gravar uma entrevista em vídeo para usar na plataforma; o nível criativo, caracterizado pelo uso de processos que requerem um considerável nível de domínio técnico, artístico e de habilidades gerais na produção de um recurso, além de conhecimento curricular mas que não implicam necessariamente uma planificação detalhada; e o nível de design, que exige diversas etapas de um complexo processo de planeamento, que vai desde a análise das necessidades de um grupo de destinatários ao desenho das interações do aluno com o material, aos dispositivos de avaliação do progresso, entre outros aspetos, em ordem a alcançar os objetivos previstos.

Certamente que existirá muitos dos recursos, nos quais foram empregues muitos meios materiais e humanos, e que o resultado final não justificou os meios neles empregues. Mas estas situações são a exceção, não são a regra. É perfeitamente compreensível que o professor ou aluno, contando apenas com as suas capacidades individuais, não consigam produzir recursos capazes de competir com os que são produzidos por equipas especializadas. As limitações de tempo, de meios tecnológicos e de conhecimento técnico impossibilitam os produtores individuais de conseguir produzir recursos com a qualidade daqueles que empresas especializadas conseguem produzir. Mas muitos dos objetos produzidos individualmente, como resultado da genialidade dos seus produtores, devido à sua capacidade criativa e de improviso podem conseguir excelentes resultados na aprendizagem e serem preferidos por professores e alunos.

Com o aumento da procura de formação em regime de e-learning, deu-se um incremento da produção de objetos de aprendizagem. Estes “objetos” tendencialmente mais pequenos promovem nos utilizadores uma tentação para os utilizar e reutilizar devido às suas potencialidades, quase ilimitadas, para serem replicados e multiplicados. Devido ao ser formato mais reduzido, estes permitem uma mais fácil edição e manipulação. Este tipo de recurso é o preferido pelo utilizador individual que pretende, com base num recurso existente, produzir um outro, adaptado às suas necessidades, e voltar partilhá-lo, conforme determinam as boas práticas.

Quando um utilizador, nas suas buscas pela rede, depara-se com este tipo de objeto, compreende o seu potencial e pretende utilizá-lo quer pelo seu conteúdo e informação, quer pelo seu aspeto gráfico ou mesmo pela combinação das várias qualidades.

 

Os Recursos Educacionais Abertos (REAs)

Para terminar vale a pena fazer alusão a um tipo de recurso educacional, certamente o mais divulgado de todos, o Recurso Educacional Aberto (REA). O termo foi apresentado pela UNESCO em 2002 (Caswell et al, 2008 citado por Okada 2011), depois de vários convidados de diferentes países terem sido convidados para discutir as potencialidades do movimento aberto, iniciado pela OpenCourseWare, do Massachusetts Institute of Technology. O MIT, com a sua iniciativa, pretendeu tornar os materiais dos seus cursos abertamente disponíveis na rede. (Okada e Bujoka 2013), O entusiasmo dos participantes na reunião foi enorme e ficou redigido na declaração final que REA será “a provisão de recursos educacionais abertos, ativada por tecnologias de informação e comunicação, para uso, consulta e adaptação por uma comunidade de usuários para fins não comerciais.” (UNESCO, 2002, citado por Okada e Bujoka 2013 p. 178). A iniciativa da do MIT e a conferência da UNESCO foram apoiados pela William e Flora Hewlett Foundation que continua a financiar projetos REA por todo o mundo. As iniciativas como as que têm sido promovidas por fundações como a William e Flora Hewlett Foundation têm como objetivo a criação de conteúdos educacionais gratuitos e acessíveis a todos de forma a incrementar o acesso a materiais de aprendizagem académica.

Recurso Educacional Aberto refere-se a todos os materiais educativos que são distribuídos livremente com permissões para qualquer uso, melhoramento e redistribuição. Estes recursos, por norma, são partilhados com licenças que podem permitir a sua utilização, alteração e redistribuição. A expressão, como afirma Okada (2011), foi aplicado pela primeira vez por David Willey, para se referir a todos os tipos de recursos (músicas, vídeo, som e texto), disponíveis em ambiente aberto, para serem utilizados com licença para utilização, adaptação e compartilhamento. Segundo a autora, citando Cedergren, (2003), Estes materiais não têm que ter, obrigatoriamente, uma finalidade educativa. A nomenclatura apresentada pela UNESCO teve a finalidade de distinguir os recursos de “conteúdo aberto” dos que têm uma finalidade educativa.

As iniciativas como as que tem promovido a William e Flora Hewlett Foundation têm como objetivo a criação de conteúdos educacionais gratuitos e acessíveis a todos de forma a aumentar o acesso a materiais de aprendizagem académica.

 

 

Referências:

 

Barros, D., & Henriques, S. (2011). Introdução. In Educação e tecnologias: reflexão, inovação e práticas  (p. 8). Acedido em: http://www.slideshare.net/efantauzzi/educao-e-tecnologas-reflexo-inovao-e-prticas-daniela-melar

 

Coutinho, C. & Sousa, A. (2009, Dez). Conteúdos digitais (interativos) para educação: questões de nomenclatura, reutilização, qualidade e usabilidade. Paideia – Revista Científica de Educação à Distância2(2), Acedido em: http://repositorium.sdum.uminho.pt/xmlui/bitstream/handle/1822/9959/adaoeclara.pdf?sequence=1

 

Okada, A. (2011). Colearn 2.0 – refletindo sobre o conceito de coaprendizagem via REAS na web 2.0. In Educação e tecnologias: reflexão, inovação e práticas, Acedido em: http://www.slideshare.net/efantauzzi/educao-e-tecnologas-reflexo-inovao-e-prticas-daniela-melar

 

Okada, A., & Bujokas, A. (2013). Comunidades abertas de prática e redes sociais de coaprendizagem da unesco. In Recursos educacionais abertos & redes sociais, Acedido em: http://goo.gl/SN6t0F

 

Ramos, J., Teodoro, V., & Ferreira, F. (2011). Recursos educativos digitais: reflexões sobre a prática. Cadernos SACAUSEF VII.Acedido em: http://www.crie.min-edu.pt/files/@crie/1330429397_Sacausef7_11_35_RED_reflexoes_pratica.pdf

 

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