Os REA e o Software Livre

Artigo publicado na edição n.º 3 da revista REAeduca com o título:

“Os REA e o Software Livre”

Resumo

Este artigo destaca o papel da abertura técnica dos REA. Além da abertura legal, condição fundamental para que os materiais consigam cumprir o propósito para que foram construídos, impõem-se que os REA sejam elaborados com abertura técnica, condição que lhes deixa livres de constrangimentos impostos pela utilização de software proprietário. Trata-se de um alerta para o facto de professores e alunos, condicionados culturalmente, utilizarem software proprietário na realização da maioria das tarefas digitais. Esta circunstância pode limitar a futura reutilização dos materiais construídos sob risco da sua livre reutilização estar sempre condicionada pelo formato de ficheiro em que os mesmos foram construídos.

Palavras-chave: Recursos Educacionais Abertos; Software Livre; Licenças Abertas; eLearning.

Abstract

This article highlights the role of OER technical openness. In addition to legal openness, which is a fundamental condition for the materials to fulfill the purpose for which they were built, OERs must be designed with technical openness, a condition that leaves them free of the constraints imposed by the use of proprietary software. It is an alert that teachers and students, culturally conditioned, use proprietary software to accomplish most digital tasks. This circumstance may limit the future reuse of built materials at risk of their free reuse being always conditioned by the file format in which they were built.

Keywords: Open Educational Resources; Free software; Open Licenses; eLearning.

Introdução

Um dos conceitos-chave dos Recursos Educacionais Abertos (REA) implica que os mesmos sejam possuidores de uma licença aberta. É necessário que estes materiais estejam cobertos por um enquadramento legal que autorize o universo de potenciais utilizadores a usufruir deles. Apenas desta forma será possível acontecer reutilização, modificação, combinação e partilha dos REA sem que essas ações impliquem irregularidade para com as normas legais instituídas.

A partilha aberta de materiais didáticos ou científicos requer que os produtores e detentores dos direitos autorais destes recursos concedam, a todos aqueles que os utilizam, o direito de acesso e utilização dos mesmos. A Declaração de Berlim de 2003 refere que,

“o(s) autor(es) e o(s) detentor(es) dos direitos concede(m) a todos os utilizadores o direito gratuito, irrevogável e mundial de lhes aceder, e uma licença para copiar, usar, distribuir, transmitir e exibir o trabalho publicamente e realizar e distribuir obras derivadas, em qualquer suporte digital para qualquer propósito responsável, sujeito à correta atribuição da autoria (…), bem como o direito de fazer um pequeno número de cópias impressas para o seu uso pessoal.”

(Berlin Declaration; 2003)

Acontece que os REA e o Software Livre têm algo em comum, existe uma afinidade entre si em termos de princípios do acesso livre e aberto ao conhecimento. Os ideais do Software Livre associados à redistribuição de software com fonte aberta (open source) estiveram na génese da ideia de partilha de materiais didáticos digitais abertos. Mallmann e Jacques (2013) explicando as liberdades dos REA dizem que “o compartilhamento público dos recursos educacionais é regido pelo princípio colaborativo e, inclusive, o de economicidade, integrando os argumentos centrais enfatizados com a filosofia software livre e pelo conceito objetos de aprendizagem”. (Mallmann e Jacques, 2013: 8).

As licenças abertas e o software livre

Lev Grossman (1998) afirma que o conteúdo aberto surgiu por ideia de David Wiley. Grossman refere que Wiley era possuidor de materiais didácticos que julgava poderem ser úteis para outros utilizadores. Era sua intenção fazer esses materiais serem partilhados gratuitamente mas, simultaneamente, não queria perder os seus créditos nem pretendia que os mesmos fossem alterados de forma irresponsável. Então Wiley e Richard Stallman pegaram na licença Gnu General Public Licence e tentaram convertê-la de modo a poderem aplicá-la aos referidos materiais. O autor refere que Wiley e Stallman “não estavam a pensar apenas em textos académicos mas também em outras formas de conteúdo tais como documentação sobre software caseiro. O que resultou foi a licença de conteúdo aberto OPL”. (Grossman, 1998).

O conceito de software livre não deve ser confundido com o conceito de “Software de código aberto”, pois este relaciona-se com a problemática do desenvolvimento do software em si e não tanto com questões de liberdade e partilha. Segundo Stallman (2014) “a ideia do código aberto é que permitir aos usuários mudar e redistribuir o software irá torná-lo mais poderoso e confiável.” (Stallman, 2014). Para os seguidores da filosofia do software de código aberto a temática da liberdade subordina-se à questão da “melhoria” do software. Segundo o mesmo autor, “O código aberto é uma metodologia de desenvolvimento; o software livre é um movimento social”. (Stallman, 2014).

Por outro lado, o conceito de Software Livre deve ser compreendido numa perspetiva de respeito pela liberdade e pelo sentimento de comunidade dos seus utilizadores. O Software Livre deve ser percebido como uma questão de liberdade intelectual e não como um modo de conseguir algo sem despender dinheiro. Não se restringe, portanto, à gratuidade.

Augusto Campos (2006), cintando a definição da Free Software Foundation, afirma que Software Livre é aquele que pode ser usado, copiado, estudado, modificado e redistribuído sem restrições. É o tipo de software que deve ser distribuído livremente e ser possuidor de uma licença de software livre como a GPL. Simultaneamente, este mesmo Software deve disponibilizar o seu código-fonte. (Campos, 2006).

A página de internet da “GNU Operating System”, financiado pela “Free Software Foundation”, refere que para um programa informático ser considerado Software Livre este deve permitir aos seus utilizadores quatro liberdades essenciais. São elas:

  • “A liberdade de executar o programa como você desejar, para qualquer propósito (liberdade 0).
  • A liberdade de estudar como o programa funciona e adaptá-lo às suas necessidades (liberdade 1). Para tanto, o acesso ao código-fonte é um pré-requisito.
  • A liberdade de redistribuir cópias de modo que você possa ajudar ao próximo (liberdade 2).
  • A liberdade de distribuir cópias de suas versões modificadas a outros (liberdade 3). Desta forma, você pode dar a toda comunidade a chance de beneficiar de suas mudanças. Para tanto, acesso ao código-fonte é um pré-requisito. “

(GNU Operating System)

Os REA, com as suas liberdades inerentes, foram inspirados nas filosofias e nos ideais que deram origem ao Software livre. Estas liberdades foram conhecidas inicialmente como os 4 Rs, sendo elas o direito ao reuso, revisão, remix e redistribuição (Wiley; 2010). Este autor, atualmente, reconhece uma quinta liberdade (R), Reter. (Wiley; 2014).

Existem, porém, autores que têm um entendimento diferente sobre as liberdades convencionadas dos REA. Mallmann et al. (2015) referem que Tuomi (2013) afasta-se da perspetiva de Wiley e prefere classificar os REA em quatro níveis (direitos), tendo por base as 4 liberdades do software livre. Estes quatro níveis são:

“1º) direito de acesso e acessibilidade: pesquisar, explorar e estudar o recurso;

2º) direito de uso: caráter social do acesso;

3º) direito e capacidade de modificação: contextualização e recombinação;

4º) direito de redistribuição: colaboração e compartilhamento.”

(Mallmann et al., 2015: 194).

Além de descenderem dos seus ideais de abertura e partilha, os REA partilham outra similitude com o Software Livre. De modo a conseguirem realizar a sua abertura técnica, carecem de ser construídos em formatos que tenham por base o Software Livre.

Com a mesma dimensão em que que se encontra a abertura legal, que concede aos utilizadores as permissões necessárias para o completo usufruto, os REA carecem de uma abertura técnica que permita a compatibilidade entre sistemas produtores e entre estes e os diversificados recursos passíveis de serem adaptados e combinados. Referindo-se às duas principais aberturas que um REA deve possuir, Amiel, Orey e West, afirmam queSão, portanto, dois fatores essenciais no quesito abertura: a abertura legal com licenças flexíveis e, segundo, abertura no sentido técnico, facilitando o processo de adaptação do recurso digital.” (Amiel, Orey e West, 2011: 122).

A abertura técnica versus software proprietário

Para realização dos princípios que regem o pensamento aberto e perseguindo um objetivo final que consiste na inovação da informação e evolução do conhecimento, os materiais de ensino/aprendizagem devem ser alvo de constantes adaptações, reformulações e complementações, elaboradas por variados autores, trabalhando em coautoria. Um trabalho colaborativo, permanente e contínuo, só produz resultados eficazes quando o seu produto é compartilhado através de materiais construídos com recurso a Software Livre. Mallmann e Jacques citando Von Hippel e Amiel afirmam que:

“Recursos educacionais produzidos e divulgados em arquivos no formato fechado (especialmente aqueles produzidos em softwares proprietários) dificultam adaptações e reformulações de acordo com as especificidades contextuais, curriculares, infraestrutura e público-alvo.”

(Mallmann e Jacques, 2013: 2)

Os professores e alunos, produtores de “pequenos” REA, que na atividade do seu dia-a-dia vão criando novos materiais didáticos e, como determinam as boas práticas, os partilham na rede, têm de os disponibilizar em formatos abertos para que os mesmos possam ser reaproveitados por aqueles que estiverem interessados em os reutilizar.

A problemática relativamente às licenças do software não se verifica apenas em relação aos programas informáticos produtores de recursos que, como se compreende, têm de permitir que qualquer utilizador interessado tenha acesso aos mesmos e os possa utilizar sem qualquer constrangimento. A questão do Software Livre coloca-se também relativamente aos formatos dos materiais partilhados. Estes devem estar construídos num formato que permita que futuros utilizadores não necessitem de recorrer a software proprietário para os poderem utilizar, seja na simples utilização desses recursos assim como na sua adaptação ou combinação.

Como exemplo, um produtor de REA proprietário de uma licença “MSOffice” que utilize esse software no seu computador pessoal pode construir ou adaptar recursos educacionais em formato “Powerpoint” e partilhá-los na internet. Esses recursos podem ser disponibilizados sob uma licença Creative Commons CC-BY, licença essa que apenas impõe que seja reconhecida a autoria do recurso, mas poderão esses materiais ser considerados REA?  Podemos considerar que estes recursos têm abertura técnica quando utilizam um software proprietário? Um potencial utilizador que não seja proprietário de uma licença “MSOffice” não vai poder utilizar, no seu computador, esses materiais didáticos partilhados. Sobre a abertura dos formatos em recursos educacionais, Silveira (2012) refere que “Para ser aberto um formato precisa ser baseado em padrões abertos. …um formato aberto deve ser mantido independente de qualquer produto e não pode ter qualquer extensão proprietária que impeça seu uso livre”. (Silveira, 2012: 119).

Seguindo o mesmo pensamento, Tel Amiel (2014) refere que a abertura técnica dos REA deve focar-se no uso de formatos abertos e padrões reconhecidos e standardizados. Este deve ser um objetivo comum, deve ser uma preocupação constante, entre todos os produtores de REA. O autor afirma que “se busca criar arquivos em formatos que possam ser abertos/editados pelo maior número de pessoas possível… Quanto maiores forem as restrições legais, menores serão as atividades criativas disponíveis aos usuários finais.” (Amiel, 2014: 198).

Se a escassez de recursos financeiros é um dos fatores condicionantes da produção de REA, a opção em utilizar software livre permitirá a canalização dos fundos que seriam utilizados na aquisição de licenças de software proprietário para outros setores da produção de REA como, por exemplo, os recursos humanos. A poupança conseguida com utilização de software livre poderá permitir, por exemplo, a contratação dos produtores de REA por mais horas. Paulo Pereira (2010) referindo-se às barreiras económicas dos REA, afirma que “o software necessário (nesta situação podendo ser colmatado por programas OSS/FLOSS), a dificuldade em suprir os custos do desenvolvimento de recursos abertos e de os manter operacionais dentro de uma instituição”. (Pereira, P.; 2010: 40).

O sistema educativo deve estar orientado por princípios e políticas que estimulem a utilização e produção de REA. A utilização de software livre é uma implicação inerente a essa situação. Verifica-se, entretanto, que existe alguma resistência, por parte de muitos docentes, na adesão à utilização de software livre. Esta resistência poderá acontecer porque os mesmos utilizam softwares proprietários nos seus computadores pessoais e estão familiarizados com os mesmos, apresentando alguma renitência em aprender a trabalhar com ferramentas novas.

Também é um facto que o software livre está constantemente a sofrer alterações, as suas frequentes atualizações dificultam a habituação. Segundo Nunes (2009),

“A longevidade do software de código aberto é geralmente curta. Isto deve-se ao facto de rapidamente poder surgir outra aplicação, também de software livre, que faça tarefa idêntica mas com melhores resultados, o que levará à sua adopção em detrimento de outra”.

(Nunes, 2009; 50).

As constantes alterações e atualizações do software livre, associadas a uma natural apetência das pessoas pelo que já conhecem e dominam, agravada pelo facto de os produtores de software proprietário procurarem construí-lo de modo a provocar dependência nos seus utilizadores, podem ser as causas, pelas quais, existe resistência por parte dos professores para utilizar aquele tipo de software.

É fulcral a importância da sensibilização dos docentes para a utilização de software livre, podendo mesmo ser equacionada a formação de professores que se sintam menos familiarizados ou com maiores dificuldades na utilização deste tipo de software. Descurar esta importante vertente da abertura dos REA implica o risco que a sua implementação e utilização fique sempre condicionada.

A partilha de recursos sob formatos de software proprietário é um cenário que não se verificará se os professores forem possuidores de uma maior fluência tecnológico-pedagógica relativamente à utilização deste tipo de ferramentas. Relativamente à formação de docentes nesta área, Francisco Pereira (2013) afirma que “O investimento aqui será essencialmente centrado na formação, será mais um investimento numa mudança de atitudes e mentalidades o que permitirá melhorar os níveis de literacia digital”. (Pereira, F., 2013; 84).

Durante uma investigação sobre a integração de REA num modelo pedagógico de ensino-aprendizagem, Paulo Pereira (2010) verificou que os professores participantes no estudo optaram por utilizar ferramentas do “MSOffice” na produção de REA. Quando foram questionados por que razão utilizaram aquele software proprietário na construção dos seus recursos os docentes intervenientes afirmaram que o fizeram porque já estavam familiarizados com a sua utilização, uma vez que era o software com que sempre tinham trabalhado. Apesar de perceberem a importância da utilização de software livre na construção e utilização de REA e de concordarem que o software proprietário deve ser evitado, os docentes disseram ao autor que “o tempo disponível dentro da vida escolar e pessoal era já muito limitado e escasso, e assim, em vez de estar a realizar mais uma aprendizagem/familiarização a outros softwares, julgaram, por bem, aplicar esse tempo em tarefas mais produtivas”. (Pereira, P., 2010: 133).

Considerações finais

A utilização de software livre em detrimento do uso de software proprietário implica uma alteração de comportamentos que urge acontecer quando está em causa a construção e utilização de REA. Os professores e alunos devem compreender que, mesmo que não estejam familiarizados com a utilização de ferramentas digitais em software livre, têm de se obrigar a utilizar esse tipo de software. Se o seu objetivo é partilhar os seus materiais didáticos, não podem continuar a construí-los em formatos que utiliza software proprietário só porque lhes é mais fácil ou porque, dessa forma, despendem menos tempo na sua construção. A livre utilização de um recurso não pode ser posta em causa porque o mesmo está construído num formato que necessita de software protegido por direitos autorais para poder ser utilizado. A abertura técnica dos REA e o encorajamento para a utilização de software livre na sua construção é um ideal que necessita ser estimulado sob risco da sua livre utilização estar sempre condicionada pelo formato de ficheiro em que o mesmo foi construído.

Referências

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  2. Amiel, T., Orey, M., & West, R. (2011). Recursos Educacionais Abertos (REA): Modelos para localização e adaptação. ETD – Educação Temática Digital, 12(N.esp.), 112-125. http://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/etd/article/view/1206/1221 [07 de março de 2017]
  3. Berlin Declaration. (2003). Berlin Declaration on Open Access to Knowledge in the Sciences and Humanities. Open Access at the Max Planck Society. http://openaccess.mpg.de/Berlin-Declaration [09 de março de 2017]
  4. Campos, A. (2006). O que é software livre. BR-Linux.Org. http://br-linux.org/linux/faq-softwarelivre [07 de março de 2017]
  5. GNU Operating System. What is free software? http://www.gnu.org/philosophy/free-sw.en.html#header [07 de março de 2017]
  6. Grossman, L. (1998). New Free License to Cover Content Online. Digitaldaily. Time digital. http://web.archive.org/web/20000619122406/http://www.time.com/time/digital/daily/0,2822,621,00.html [07 de março de 2017]
  7. Mallmann, E. et al. (2015). Inovação Mediada por Recursos Educacionais Abertos (REA): O caso da Universidade Aberta de Portugal. Inovação Em Práticas E Tecnologias Para Aprendizagem, 189-211. https://goo.gl/DtnHrx [07 de março de 2017]
  8. Mallmann, E., & Jacques, J. (2013). Recursos educacionais abertos: Autoria e coautoria em rede como democratização da inovação. Revista Iberoamericana de Educação, 63(2). http://www.rieoei.org/deloslectores/5846Mallmann.pdf [07 de março de 2017]
  9. Nunes, P. (2009). Software livre no 1º Ciclo do Ensino Básico : uma proposta de distribuição linux adaptada à organização curricular. https://repositorioaberto.uab.pt/handle/10400.2/1362 [08 de março de 2017]
  10. Pereira, F. (2013). Recursos educacionais abertos (rea) em contexto escolar: Estudo de um caso numa escola do 1º ciclo do ensino básico do concelho de Almeirim. http://repositorioaberto.uab.pt/handle/10400.2/3272 [09 de março de 2017]
  11. Pereira, P. (2010). Integração de Recursos Educativos Abertos num Modelo Pedagógico de Ensino-Aprendizagem. Aveiro. http://ria.ua.pt/bitstream/10773/1422/1/2010000805.pdf [08 de março de 2017]
  12. Silveira, S. (2012). Formatos abertos. Recursos Educacionais Abertos: Práticas Colaborativas Políticas Públicas, 1(1), 109-120. http://www.livrorea.net.br/livro/livroREA-1edicao-mai2012.pdf [08 de março de 2017]
  13. Stallman, R. (2014). Por que o Código Aberto não compartilha dos objetivos do Software Livre. O Sistema Operacional GNU Livre. http://www.gnu.org/philosophy/open-source-misses-the-point.pt-br.html [07 de março de 2017]
  14. Wiley, D. (2010). Openness as Catalyst for an Educational Reformation. http://er.educause.edu/articles/2010/8/openness-as-catalyst-for-an-educational-reformation [07 de março de 2017]
  15. Wiley, D. (2014). The Access Compromise and the 5th R. iterating toward opennesshttp://opencontent.org/blog/archives/3221 [07 de março de 2017]
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Recursos Educativos Digitais: Estudo sobre o interesse despertado pelos diversos tipos

Artigo elaborado no âmbito do tema 3 da Unidade Curricular “Metodologia de Investigação em Contexto Online”

 

1. Introdução

Os Recursos Educativos Digitais (RED) são ferramentas imprescindíveis no apoio ao ensino à distância. Devido à dificuldade em se auto motivar, imposta pelo isolamento inerente ao estudante online, julgamos que o interesse que os RED podem despertar nos aprendentes, através da forma como apresentam os conteúdos, é fundamental na implementação do desejo de aprender e na manutenção do esforço de aprendizagem.

Pelos mesmos motivos, também procuramos saber o tipo de RED que os professores utilizam, quer estes sejam por si originalmente criados, quer sejam pesquisados, descarregados da net e por si adaptados para as suas aulas.

Pretende-se, por isso, saber qual o tipo de Recurso Educacional Digital que goza do favoritismo de alunos e de professores.

 

2. O instrumento de recolha de dados

Para tentar responder ao problema de investigação, foi criado um inquérito por questionário onde os inqueridos, depois de visualizarem três recursos educativos digitais, um em formato de texto (pdf), outro em formato de áudio e um terceiro em formato de vídeo, todos eles com o mesmo conteúdo educativo, os avaliam em função do grau de interesse que estes lhes despertaram.

Para cada Recurso educativo foi apresentada uma questão onde, através de uma escala de Likert, o inquerido respondeu qual o grau de interesse em si despertado, numa escala de 1 a 5 onde o 1 significava que o RED era “muito desinteressante e pouco estimulante para a aprendizagem” e o 5 significava que o mesmo era “muito interessante e estimulava a vontade de aprender”.

Depois de avaliar os três RED, na qualidade de aprendente, foi perguntado ao inquirido se alguma vez tinha estado no papel de professor/formador informando-o de que caso a resposta fosse negativa, o questionário terminava ali.

Seguidamente, os inquiridos com experiência de professor/formador, avaliaram os RED, segundo a mesma escala de valores atrás referida, relativamente ao interesse que estes despertaram, na perspetiva de uma futura utilização dos mesmos como instrumento de apoio à aprendizagem.

O questionário para a recolha de dados foi elaborado no Google Drive, ferramenta talvez um pouco minimalista para questionários aplicados a investigações mais profundas mas que é muito prático em questionários que não sejam muitos extensos e complexos. A utilização do Google Drive como ferramenta de recolha de dados tem a vantagem de os dados serem recolhidos e guardados, automaticamente, numa folha de cálculo.

O questionário ficou disponível em: https://docs.google.com/forms/d/1_keCyLWP7_e3BjllfhIAkqz-IydMsJzMBnJ76Qx75sU/viewform?usp=send_form

 

3. Implementação da recolha de dados

Depois de testada a ferramenta de recolha de dados e verificada a sua operacionalidade foi solicitado aos colegas do MPEL 7 que frequentam “Metodologia de Investigação em Contextos Online”, através do “Fórum Recolha e Análise de Dados” e aos restantes colegas do MPEL 7 e MPEL 6, através dos respetivos grupos do Facebook que, como amostra para a pesquisa em questão, respondessem ao inquérito.

 

4. Organização e análise dos dados recolhidos

Depois de o questionário ter estado disponível para resposta durante 7 dias, entre 06 e 13 de Maio, foram organizados e analisados os dados. Utilizando o ficheiro Excel onde estes foram recolhidos, foram organizados de forma a que as respostas pudessem ser analisadas.

Existiram 17 respostas ao questionário. Entre essas 17 respostas, apenas 2 inquiridos nunca se tinham encontrado na situação de professor/formador. Como resultado final tivemos 17 respostas na perspetiva de aprendente e 15 respostas na perspetiva de professor/formador.

As três primeiras perguntas, a serem respondidas na perspetiva de aprendente, demostraram-nos que:

A pergunta 1. “Como aprendente, relativamente ao grau de interesse que desperta, como classifica o recurso de aprendizagem digital no formato texto que se encontra em http://goo.gl/2VHbbO?”, as respostas foram dadas através de uma escala de 1 a 5, onde o valor 1 significava que o recurso era muito desinteressante e pouco estimulante para a aprendizagem e o valor 5 expressava que o recurso era muito interessante e estimulava a vontade de aprender, obteve uma média de 3,5.

Contabilizando-se as seguintes respostas:

Classificação 1 0 respostas  
Classificação 2 3 respostas  
Classificação 3 6 respostas  
Classificação 4 4 respostas  
Classificação 5 4 respostas  

Grafico1

 Figura 1. – Gráfico relativo à pergunta 1

A pergunta 2. “Como aprendente, relativamente ao grau de interesse que desperta, como classifica o recurso de aprendizagem digital no formato áudio que se encontra em http://goo.gl/GTrKMm?”, as respostas foram dadas através de uma escala de 1 a 5, onde o valor 1 significava que o recurso era muito desinteressante e pouco estimulante para a aprendizagem e o valor 5 expressava que o recurso era muito interessante e estimulava a vontade de aprender, obteve uma média de 3,5.

Contabilizando-se as seguintes respostas:

Classificação 1 1 respostas
Classificação 2 1 respostas
Classificação 3 6 respostas
Classificação 4 7 respostas
Classificação 5 2 respostas

Grafico2

 Figura 2. – Gráfico relativo à pergunta 2

A pergunta 3. “Como aprendente, relativamente ao grau de interesse que desperta, como classifica o recurso de aprendizagem digital no formato vídeo que se encontra em http://goo.gl/2d5yXP?”, as respostas foram dadas através de uma escala de 1 a 5, onde o valor 1 significava que o recurso era muito desinteressante e pouco estimulante para a aprendizagem e o valor 5 expressava que o recurso era muito interessante e estimulava a vontade de aprender, obteve uma média de 4,4.

Contabilizando-se as seguintes respostas:

Classificação 1 0 respostas
Classificação 2 0 respostas
Classificação 3 3 respostas
Classificação 4 5 respostas
Classificação 5 9 respostas

Grafico3

Figura 3. – Gráfico relativo à pergunta 3

A pergunta 4. “Já alguma vez se encontrou na situação de professor/formador?” foi respondida com “sim ou não” e teve o objetivo de separar as respostas dadas no papel de aprendente das respostas dadas no papel de professor/formador. Se algum dos inquiridos não tinha experiência como professor/formador não devia responder às perguntas 5, 6 e 7. Dos inquiridos, 15 tinham experiência como professor/formador e 2 nunca estiveram nesse papel.

Resposta Não 2
Resposta Sim 15

 

Grafico4                                          Figura 4. – Gráfico relativo à pergunta 4

 As três últimas perguntas contaram apenas com a resposta de 15 inquiridos e as respostas foram as seguintes:

A pergunta 5. “Como professor/formador, e na perspetiva de uma futura utilização como instrumento de apoio à aprendizagem, como classifica o recurso de aprendizagem digital no formato texto que se encontra em http://goo.gl/2VHbbO?”, as respostas foram dadas através de uma escala de 1 a 5, onde o valor 1 significava que o recurso era muito desinteressante e pouco estimulante para a aprendizagem e o valor 5 expressava que o recurso era muito interessante e estimulava a vontade de aprender, obteve uma média de 3,5.

Contabilizando-se as seguintes respostas:

Classificação 1 1 respostas
Classificação 2 2 respostas
Classificação 3 5 respostas
Classificação 4 2 respostas
Classificação 5 5 respostas

Grafico5Figura 5. – Gráfico relativo à pergunta 5

A pergunta 6. “Como professor/formador, e na perspetiva de uma futura utilização como instrumento de apoio à aprendizagem, como classifica o recurso de aprendizagem digital no formato áudio que se encontra em http://goo.gl/GTrKMm?”, as respostas foram dadas através de uma escala de 1 a 5, onde o valor 1 significava que o recurso era muito desinteressante e pouco estimulante para a aprendizagem e o valor 5 expressava que o recurso era muito interessante e estimulava a vontade de aprender, obteve uma média de 3,5.

Contabilizando-se as seguintes respostas:

Classificação 1 1 respostas
Classificação 2 1 respostas
Classificação 3 6 respostas
Classificação 4 4 respostas
Classificação 5 3 respostas

Grafico6

Figura 6. – Gráfico relativo à pergunta 6

A pergunta 7. “Como professor/formador, e na perspetiva de uma futura utilização como instrumento de apoio à aprendizagem, como classifica o recurso de aprendizagem digital no formato áudio que se encontra em http://goo.gl/GTrKMm?”, as respostas foram dadas através de uma escala de 1 a 5, onde o valor 1 significava que o recurso era muito desinteressante e pouco estimulante para a aprendizagem e o valor 5 expressava que o recurso era muito interessante e estimulava a vontade de aprender, obteve uma média de 4,6.

Contabilizando-se as seguintes respostas:

Classificação 1 0 respostas
Classificação 2 0 respostas
Classificação 3 1 respostas
Classificação 4 4 respostas
Classificação 5 10 respostas

Grafico7

Figura 7. – Gráfico relativo à pergunta 7

5. Análise dos dados e conclusão

Concluímos sabendo que os resultados obtidos com o presente estudo só demonstram o grau de interesse demonstrado pelos 17 respondentes. A amostra, pelo facto de ser muito reduzida e de não terem sido empregues todas as técnicas de estatística, não pode ser extrapolada para além do grupo em questão.

Podemos constatar, observando o gráfico com as médias de todas as respostas que o grau de interesse demonstrado pelos diferentes RED têm valores muito similares, para o mesmo tipo de recurso, quer ele seja avaliado no papel de aprendente quer no papel de professor. Os recursos preferidos pelos alunos, como auxiliares de aprendizagem, são os mesmos que os professores escolhem para os auxiliar no ensino. Não podemos deixar de ter em atenção o facto de o mesmo indivíduo responder no papel de aluno e no papel de professor/formador. A sua preferência por um determinado tipo de RED pode ser intrínseca e, por este motivo, ter votado da mesma forma nas duas vezes e, desta forma, ter influenciado o resultado final.

Grafico8

 Figura 8. – Gráfico relativo às médias de todas as perguntas

O mesmo gráfico demonstra que o interesse demonstrado pelo recurso em formato de texto é similar ao interesse demonstrado pelo RED em formato de áudio. Talvez se compreenda, com base neste resultado, o facto de os audiobooks nunca terem despertado um grande interesse. Também devemos ter em conta que o interesse (ou a falta dele) demonstrado pelo recurso em formato áudio pode ser o reflexo de o ficheiro modelo, usado no questionário, ser de má qualidade.

Julgamos que ficou provado, tendo por base os resultados obtidos, que entre os três tipos de recursos educativos digitais apresentados neste estudo, o recurso em formato de vídeo é aquele que desperta mais interesse, quer pelos aprendentes para aprenderem com o seu auxílio quer pelos professores/formadores para o utilizarem como auxiliar das suas aulas.

Seria interessante, em estudos futuros, utilizar amostras mais abrangentes para que possam ser mais representativas e permitam que se possa extrapolar os resultados. Também se deveria alargar o estudo a outros tipos de recursos educativos digitais como, por exemplo, imagens e apresentações. Também teria interesse que os respondentes fossem questionados com outros tipos de perguntas onde, por exemplo, lhes fosse perguntado, na sua perspetiva, quais as vantagens e desvantagens que cada tipo de recurso apresenta para eles.

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Recursos Educativos Digitais: As preferências dos utilizadores

Artigo elaborado no âmbito do tema 2 da Unidade Curricular – Metodologia de Investigação em Contexto Online

 

Resumo

A evolução tecnológica é algo inerente à existência humana, mas nunca aconteceu de forma tão rápida. As alterações que essas mudanças tecnológicas contínuas impõem na sociedade são transversais a todos os setores. A evolução tecnológica, através das tecnologias de informação e comunicação, estão a alterar antigos paradigmas existentes na educação. Uma das áreas onde a tecnologia mais está a alterar o que estava anteriormente instituído é o setor dos recursos educativos. As TIC trouxeram para o panorama da educação os Recursos Educativos Digitais. Estes recursos, de formato digital, tem a capacidade de poderem ser distribuídos através da rede. Devido às suas caraterísticas, podem ser utilizados, editados, modificados reutilizados e novamente partilhados tornando o preço da educação mais acessível com capacidade de chegar a mais alunos. Também têm a capacidade de, devido à possibilidade de apresentarem um aspeto mais atrativo, poder tornar a aprendizagem uma tarefa mais prazenteira. Este trabalho debruça-se sobre o modo como esses recursos educativos digitais são construídos, sobre o modo como poderão e deverão vir a ser elaborados e quais as caraterísticas que os mesmos deverão ter para conseguirem ser mais atrativos para os seus utilizadores e, desta forma, facilitar uma aprendizagem mais efetiva e tornar o ato de aprender numa tarefa menos monótona.

Palavras-Chave: Recursos Educativos Digitais; RED; Recursos Educativos Abertos, REA.

 

Abstract

The technological evolution is inherent to human existence, but never had happened so quickly. The Changes that technological evolution imposes in society cut across all sectors. Technological developments, through information and communication technologies, are changing old paradigms in education. One of the areas where technology is changing what was established is the sector of educational resources. ICTs have brought to the education landscape the Digital Educational Resources. These features in digital format have the capability of being able to be distributed through the network. Due to its characteristics, they may be used, edited, modified, reused and shared again making the education price more affordable with the ability to reach more students. Also have the ability, because the possibility of presenting a more attractive appearance, make learning a more pleasant task. This paper focuses on how these digital learning resources are built, on how they can and are expected to be prepared and what features that they must have to achieve to be more attractive to users and thus facilitate a more effective learning and make the act of learning a less monotonous task.

Keywords : Digital Educational Resources ; RED ; Open Educational Resources , OER.

 

A evolução tecnológica na educação

A constante evolução tecnológica é uma realidade a que todas as sociedades estão subordinadas. Sempre foi uma realidade desde os primórdios da Humanidade. Mas nunca, como agora, a evolução foi tão rápida, o que hoje é novo amanhã está obsoleto e já foi substituído. Essa evolução é transversal a todas as áreas onde haja atividade humana e, como não poderia ser de outro modo, entrou nas escolas e está a impor, a todos os profissionais ligados ao ensino, a uma mudança de paradigma. O ensino e o modo como este é concretizado, estão a sofrer alterações radicais impostas pelo avanço tecnológico. Apesar de existir alguma resistência ou atrito, que tem vindo gradualmente a diminuir, por parte de alguns elementos ou setores da educação, relativamente à implementação nas escolas, de novas pedagogias, tendo por base as tecnologias de informação e comunicação, a mudança está a acontecer e já não é possível um retrocesso no processo.

As Tecnologias da Informação e Comunicação, atualmente, não se ficam só pelos PCs e pela ligação destes à internet. Existe hoje uma panóplia de novos equipamentos e gadgets tais como os netbooks, tablets e smartphones que têm invadido o mercado e, consequentemente, passam a ser propriedade de jovens e menos jovens passando a fazer parte da nossa vida, passando a ter uma importância vital nas tarefas do nosso dia-a-dia. Estes equipamentos tecnológicos estão munidos de variadas aplicações e possuem a capacidade de serem personalizados por uma grande quantidade de outras, disponíveis online, onde podem ser livremente descarregadas pelos utilizadores. Estas aplicações podem ser destinadas às mais variadas finalidades. Elas podem ser jogos, aplicações de ligação a redes socias, leitores de vídeo, imagem ou som, aplicações de georreferenciação entre muitos outros tipos de aplicações que, a par da sua componente lúdica, podem ser utilizadas em outras áreas como por exemplo na educação.

A potencialidade destas tecnologias é enorme, o limite encontra-se onde termina a imaginação, perante isto surge um desejo inevitável de as aplicar ao ensino e, ao mesmo tempo, nasce uma curiosidade enorme em saber quais as mais-valias e que vantagens estas trazem à aprendizagem.

“No espaço escolar, a utilização e integração cada vez maior das tecnologias da informação e da comunicação (TIC), em geral, coloca novos desafios pedagógicos e obriga à redefinição dos papéis dos diferentes parceiros no processo educativo. Neste sentido, as TIC podem ser encaradas como um reforço aos métodos tradicionais de ensino ou como uma forma de renovação das oportunidades de aprendizagem. O que se discute aqui é exatamente a integração das tecnologias no currículo escolar, enquanto potenciadoras de novas possibilidades de êxito no processo de ensino e aprendizagem.” Barros e Henriques (2011 p.8).

Recentemente verificou-se, a nível governamental, um esforço no sentido de equipar as escolas com material informático. Esse esforço foi mais longe e, através de facilidades na aquisição, pretendeu equipar todos os aprendentes, jovens e adultos, com computador pessoal. Esta disseminação de novos equipamentos informáticos permitiu o aumento do número de alunos com acesso a uma nova variedade de conteúdos educacionais.

 

A evolução dos recursos educativos

Os conteúdos educativos convencionais, perante as alterações verificadas, impostas pela evolução tecnológica, foram também eles, obrigados a mudar. Cada vez mais o antigo suporte em papel dá lugar ao suporte digital. Os livros vão sendo, gradualmente, apoiados e por vezes substituídos pelos CDs e DVDs. Todo o conhecimento que ao longo dos tempos ia sendo transmitido através dos livros e manuais escolares começa a ser disponibilizado em suportes que permitem uma busca mais rápida da informação. Mais recentemente, com o acesso online à “cloud”, os próprios suportes digitais físicos vão sendo ultrapassados. Facilmente um aluno ou professor acede aos seus recursos educativos, guardados em qualquer servidor online, de qualquer ponto do globo, bastando para isso ter um computador com acesso à internet. Com a libertação dos suportes físicos e o acesso aos recursos através da rede acontece um aumento da partilha e da distribuição, nunca possível com a utilização dos discos físicos. As circunstâncias referidas anteriormente incrementaram a quantidade de recursos educativos digitais disponíveis.

Numa aproximação mais prática aos conceitos, definimos software e recursos educativos digitais como entidades digitais produzidas especificamente para fins de suporte ao ensino e à aprendizagem. Neste conceito, podem ser considerados recursos educativos digitais um jogo educativo, um programa informático de modelação ou simulação, um vídeo, um programa tutorial ou de exercício prático, um ambiente de autor ou recursos mais simples na sua dimensão de desenvolvimento como um blogue, uma página web, ou uma apresentação eletrónica multimédia, etc. desde que armazenados em suporte digital e que levem em linha de conta, na sua conceção, considerações pedagógicas. Ramos et al (2011 p. 13).

Estes recursos educativos digitais surgiram de diversas proveniências. Aqueles que foram criados para fins lucrativos surgem através dos meios comerciais convencionais, em suporte físico ou são vendidos através de “sites” que permitem que se faça “download” dos mesmos, mediante o seu pagamento. Por norma, estes recursos estão protegidos por licenças que não autorizam a sua alteração e partilha. Outro tipo de recurso educacional digital é criado por instituições com o objetivo de minimizar o custo da educação e de permitir o acesso por parte dos alunos, a partir de locais de difícil acesso, à educação. Um terceiro tipo de recurso educativo digital é aquele que é produzido e partilhado por particulares, normalmente professores ou alunos e que normalmente são partilhados com licenças que permitem a sua partilha, alteração e redistribuição.

Dentro da definição de Recurso Educativo Digital cabe um grande número de recursos digitais. Todos os recursos que tenham a potencialidade de ser utilizados na educação poderão ser considerados recursos educativos. Desta forma consegue-se um grande acervo de recursos que poderão enriquecer a aprendizagem e facilitar o trabalho a professores e alunos. A abrangência deste conceito pode ajudar o investigador a descobrir e a reconhecer um grande leque de recursos disponíveis mas, por outro lado, essa mesma abrangência pode “soterrar” o utilizador que pesquisa através de um motor de busca, deixando-o na indefinição perante a grande quantidade de informação disponibilizada. O tempo despendido na consulta, avaliação e seleção da qualidade científica e pedagógica dos recursos apresentados pode ser um obstáculo aos próprios objetivos dos Recursos Educacionais, que serão, entre outros, o de facilitar a aprendizagem. Ramos et al (2011 p. 14), referindo-se à proliferação de recursos educacionais na rede afirma que:

Se essa multiplicação pode ser valiosa do ponto de vista educativo, a forma como se apresenta, o lugar onde está exposta e, muitas vezes, o seu próprio conteúdo criam dificuldades aos que têm a tarefa de ajudar os alunos a conferir e a construir um contexto interpretativo e crítico em relação a essa informação, apoiando os jovens na criação de um significado apropriado e ajustado ao seu desenvolvimento pessoal e intelectual.

Ao mesmo tempo, através de outro prisma, situa-se a discussão sobre o que pode ser considerado, ou não, recurso educacional. Qual é a fronteira? Quais são as caraterísticas que um recurso deve possuir para poder ser considerado, ou não, educacional? Um qualquer artefacto que tenha sido criado para qualquer fim que não seja o ensino, que seja deixado online, e mais tarde venha a mostrar-se com interesse pedagógico, transformar-se-á num recurso educativo. Não será verdade que, no limite, qualquer recurso digital poderá ter algum valor pedagógico?

Também existe a questão da dificuldade que muitas vezes se coloca relativamente à verificação da validade da informação apresentada pelo recurso. Muitos artefactos dispersos pela rede aparentam ser excelentes apoios à aprendizagem mas a informação por eles disponibilizada é, muitas vezes, deficiente ou falsa.

Outro problema inerente à proliferação de recursos educacionais prende-se com o facto de muitos dos recursos disponibilizados na internet não fazerem referência ao seu autor nem à data em que foram publicados. A utilização destes recursos, por mais uteis e interessantes que possam ser, fica desta forma vedada em trabalhos académicos pela impossibilidade de ser referenciados.

Todos nós, utilizadores de recursos educacionais, somos potenciais criadores de novos recursos educacionais. Basta, para tal, que se pegue num artefacto, o alteremos adaptando-o às nossas necessidades e, como as boas práticas o aconselham, o voltemos a partilhar com o resto do mundo.

Diversos tipos de materiais para ensino e aprendizagem com conteúdo aberto estão surgindo em diversos formatos. Materiais pedagógicos interativos e mais atrativos podem ser remixados, tais como: arquivos de texto, audio, slides, vídeo, imagem e som. Várias tecnologias gratuitas para criação de REAs estão surgindo e permitindo que usuários possam reconstruir e compartilhar novos REAs dinamizando as formas de ensinar e aprender. Okada, A. (2011).

Os recursos educativos digitais podem ter os mais variados formatos. Estes podem ir desde folhas em papel digitalizadas, passando por apresentações, documentos editáveis, faixas sonoras, vídeos, softwares específicos para determinado projetos, páginas de internet, etc. Alguns desse recursos têm esse formato porque é o que melhor se adapta a determinada sessão de formação ou curso para os quais foram construídos, outros têm o formato que a literacia digital do seu criador permitiu. O capítulo de um livro, digitalizado e posteriormente colocado na rede pode ser útil para determinada sessão de formação, mas, devido ao facto de ser de difícil edição, provavelmente nunca mais vai voltar a ser utilizado. A rede é abundante em recursos educacionais que, devido ao facto de não serem apelativos, nunca mais vão ser utilizados. Estes só irão servir para inundar as buscas que forem executadas com as palavras-chave a eles associadas.

Deve fazer parte das preocupações de um criador de recursos educativos o modo como os deverá construir para que estes, primeiro, sejam apelativos para quem os vai utilizar e como segunda preocupação deve ter o cuidado de os construir de modo a que sejam facilmente editáveis e possam ser futuramente alterados para novas necessidades de aprendizagem. De preferência, e sempre que o conteúdo o permita, um recurso digital deve ser construído de modo a estimular os diversos sentidos, desta forma a aprendizagem vai ser muito mais eficaz.

Um recurso digital cujos elementos permitam a modelação, a simulação, a animação, a combinação multimédia, a interatividade (que pode assumir formas diferentes), induz certamente estratégias de ensino e modos de aprendizagem diversificadas e que podem ser orientadas para a manipulação dos objetos, para a interação com os elementos do recurso, para a observação ou representação dos fenómenos, ou ainda para a aprendizagem de conceitos e teorias através da combinação de imagens, palavras e sons, etc. Ou seja, recursos que possibilitem aos professores e alunos desenvolverem trabalho educativo diferente e com mais-valias claras, em relação ao que poderiam desenvolver com o apoio de meios tradicionais de ensino. Ramos et al (2011 p. 15).

Seria importante possuir instrumentos que nos permitissem, dentro da imensa panóplia de recursos educativos, dispersos pela rede, distinguir aqueles que, devido às suas caraterísticas, possam colaborar de modo mais eficaz na melhoria da educação e que permitissem que os professores, com o seu auxílio, pudessem melhorar a aprendizagem dos alunos. Com o auxílio de eventuais ferramentas que pudessem vir a diferenciar os recursos com mais aptidão para serem eficazes daqueles que, devido ao seu pouco valor educativo e pouco poder de atração para os aprendentes, não apresentam grandes potencialidades para virem a ser bons auxiliares na formação, o professor saberia, à partida, com quais recursos poderia alcançar melhores resultados.

 

A Produção de recursos educativos

Muitos dos recursos educacionais que se encontram na rede, mesmo em sites institucionais, são recursos convencionais convertidos em réplicas digitais. Percebe-se que houve uma preocupação em transformar recursos em papel, muitos deles de qualidade pedagógica indiscutível, no formato digital de modo a ser possível distribuí-los na rede. Houve uma preocupação, salvaguardando os direitos autorais, em converter tudo o que estava editado em formato de livro para o formato digital. É inquestionável que, dessa forma, com o passar dos tempos, a obra não se vai perder e que, assim, poderá chegar a uma infinidade de leitores que, de outra forma, era impossível alcançar. É percetível, por qualquer utilizador que aceda a estes recursos, que estes foram fabricados com uma falta de preocupação com a sua aparência, chegando mesmo a ser percetível o desinteresse pelas capacidades dos meios tecnológico com que foram fabricados. Não há dúvida que esses recursos, assim depositados na rede, conseguem chegar a um número muito maior de utilizadores do que no formato de papel mas não será, certamente, o formato mais apelativo para distribuir o conteúdo. Não será, certamente, o recurso que irá ser utilizado, reutilizado e distribuído por um grande número de utilizadores.

Colocar estes conteúdos, pouco atrativos para potenciais utilizadores, em reservatórios online não será a forma, certamente, de estimular uma aprendizagem colaborativa através da utilização de recurso s educativos digitais. O utilizador que na sua busca for inundado com este tipo de recursos irá, provavelmente, desistir de procurar, irá tentar construir o seu recurso de raiz e, possivelmente, depois de o construir, estará menos recetivo à ideia de o partilhar.

De facto, a qualidade dos recursos é um fator de extrema importância, pois dela pode depender a consecução dos objetivos fundamentais para uma aprendizagem capaz de converter a informação (matéria prima) em conhecimento (produto) (Pinto, 2007 citada por Coutinho e Sousa 2009)

Para a autora citada, apesar de qualidade ser um conceito subjetivo, esta divide-se em quatro categorias: intrínseca, contextual, representatividade e acessibilidade.

A qualidade intrínseca diz respeito ao valor da informação em si mesma. A qualidade contextual relaciona-se com o contexto no qual se acede à informação. A qualidade representativa relaciona-se com a forma como a informação é representada. É esta a qualidade que relaciona os aspetos técnicos e estruturais do recurso, tais como o formato, a clareza, a concisão, a compatibilidade, o desenho e a homogeneidade dos dados. Por fim a qualidade do acesso prende-se com o modo como se acede ao recurso. Aqui temos em conta aspetos como o tempo de espera, a navegação e a segurança.

A qualidade dos softwares existentes permite que os recursos educacionais possam ser produzidos com caraterísticas que consigam uma eficácia educativa. O sucesso da aprendizagem depende, maioritariamente, como todos sabemos, do empenho de professores e alunos mas uma das variáveis da equação relaciona-se com as experiências de aprendizagem e essas serão vividas muito mais intensamente se forem apoiadas com meios que estimulem os vários sentidos.

Quando se seleciona um recurso e é planeada a forma como o mesmo vai ser empregue, a cultura pedagógica e a condicionante do contexto curricular serão as linhas orientadoras. Será o professor que planeará a forma como irá decorrer a aprendizagem. Mas o recurso, devido ao processo de criação que está no seu historial, irá, com certeza, influenciar o que o professor poderá fazer. O recurso, como consequência das suas caraterísticas intrínsecas, de alguma forma, irá influenciar a forma como o professor vai planear e apresentar a sua aula.

A construção de um recurso de aprendizagem implica um pensamento sistemático e metódico sobre o que se pretende ensinar o que é pretendido ser aprendido. O produtor do recurso necessita avaliar todo o processo. Tem de definir o modelo de aprendizagem que vai utilizar, quais as atividades que vão ser solicitadas aos alunos e como vai avaliar a aprendizagem.

Existem recursos, de produção simples, que são elaborados por apenas um produtor. A maioria deste produtores são professores ou alunos que, ou os fabricam como apoio às suas aulas ou, no caso dos alunos, os fabricam por solicitação dos seus tutores como objeto de avaliação. Existem outros recursos, de elaboração mais complexa, que têm na sua conceção equipas completas de técnicos das mais variadas áreas que vão desde designers a programadores. Segundo Kemp e Smellie (1994, citados por Ramos et al 2011 p. 22),

Existem de diferentes níveis de sofisticação nos processos de criação de recursos educativos digitais: o nível mecânico, definido pelo uso de processos elementares, como copiar e colar uma imagem numa página web, elaborar um gráfico para uma apresentação, gravar uma entrevista em vídeo para usar na plataforma; o nível criativo, caracterizado pelo uso de processos que requerem um considerável nível de domínio técnico, artístico e de habilidades gerais na produção de um recurso, além de conhecimento curricular mas que não implicam necessariamente uma planificação detalhada; e o nível de design, que exige diversas etapas de um complexo processo de planeamento, que vai desde a análise das necessidades de um grupo de destinatários ao desenho das interações do aluno com o material, aos dispositivos de avaliação do progresso, entre outros aspetos, em ordem a alcançar os objetivos previstos.

Certamente que existirá muitos dos recursos, nos quais foram empregues muitos meios materiais e humanos, e que o resultado final não justificou os meios neles empregues. Mas estas situações são a exceção, não são a regra. É perfeitamente compreensível que o professor ou aluno, contando apenas com as suas capacidades individuais, não consigam produzir recursos capazes de competir com os que são produzidos por equipas especializadas. As limitações de tempo, de meios tecnológicos e de conhecimento técnico impossibilitam os produtores individuais de conseguir produzir recursos com a qualidade daqueles que empresas especializadas conseguem produzir. Mas muitos dos objetos produzidos individualmente, como resultado da genialidade dos seus produtores, devido à sua capacidade criativa e de improviso podem conseguir excelentes resultados na aprendizagem e serem preferidos por professores e alunos.

Com o aumento da procura de formação em regime de e-learning, deu-se um incremento da produção de objetos de aprendizagem. Estes “objetos” tendencialmente mais pequenos promovem nos utilizadores uma tentação para os utilizar e reutilizar devido às suas potencialidades, quase ilimitadas, para serem replicados e multiplicados. Devido ao ser formato mais reduzido, estes permitem uma mais fácil edição e manipulação. Este tipo de recurso é o preferido pelo utilizador individual que pretende, com base num recurso existente, produzir um outro, adaptado às suas necessidades, e voltar partilhá-lo, conforme determinam as boas práticas.

Quando um utilizador, nas suas buscas pela rede, depara-se com este tipo de objeto, compreende o seu potencial e pretende utilizá-lo quer pelo seu conteúdo e informação, quer pelo seu aspeto gráfico ou mesmo pela combinação das várias qualidades.

 

Os Recursos Educacionais Abertos (REAs)

Para terminar vale a pena fazer alusão a um tipo de recurso educacional, certamente o mais divulgado de todos, o Recurso Educacional Aberto (REA). O termo foi apresentado pela UNESCO em 2002 (Caswell et al, 2008 citado por Okada 2011), depois de vários convidados de diferentes países terem sido convidados para discutir as potencialidades do movimento aberto, iniciado pela OpenCourseWare, do Massachusetts Institute of Technology. O MIT, com a sua iniciativa, pretendeu tornar os materiais dos seus cursos abertamente disponíveis na rede. (Okada e Bujoka 2013), O entusiasmo dos participantes na reunião foi enorme e ficou redigido na declaração final que REA será “a provisão de recursos educacionais abertos, ativada por tecnologias de informação e comunicação, para uso, consulta e adaptação por uma comunidade de usuários para fins não comerciais.” (UNESCO, 2002, citado por Okada e Bujoka 2013 p. 178). A iniciativa da do MIT e a conferência da UNESCO foram apoiados pela William e Flora Hewlett Foundation que continua a financiar projetos REA por todo o mundo. As iniciativas como as que têm sido promovidas por fundações como a William e Flora Hewlett Foundation têm como objetivo a criação de conteúdos educacionais gratuitos e acessíveis a todos de forma a incrementar o acesso a materiais de aprendizagem académica.

Recurso Educacional Aberto refere-se a todos os materiais educativos que são distribuídos livremente com permissões para qualquer uso, melhoramento e redistribuição. Estes recursos, por norma, são partilhados com licenças que podem permitir a sua utilização, alteração e redistribuição. A expressão, como afirma Okada (2011), foi aplicado pela primeira vez por David Willey, para se referir a todos os tipos de recursos (músicas, vídeo, som e texto), disponíveis em ambiente aberto, para serem utilizados com licença para utilização, adaptação e compartilhamento. Segundo a autora, citando Cedergren, (2003), Estes materiais não têm que ter, obrigatoriamente, uma finalidade educativa. A nomenclatura apresentada pela UNESCO teve a finalidade de distinguir os recursos de “conteúdo aberto” dos que têm uma finalidade educativa.

As iniciativas como as que tem promovido a William e Flora Hewlett Foundation têm como objetivo a criação de conteúdos educacionais gratuitos e acessíveis a todos de forma a aumentar o acesso a materiais de aprendizagem académica.

 

 

Referências:

 

Barros, D., & Henriques, S. (2011). Introdução. In Educação e tecnologias: reflexão, inovação e práticas  (p. 8). Acedido em: http://www.slideshare.net/efantauzzi/educao-e-tecnologas-reflexo-inovao-e-prticas-daniela-melar

 

Coutinho, C. & Sousa, A. (2009, Dez). Conteúdos digitais (interativos) para educação: questões de nomenclatura, reutilização, qualidade e usabilidade. Paideia – Revista Científica de Educação à Distância2(2), Acedido em: http://repositorium.sdum.uminho.pt/xmlui/bitstream/handle/1822/9959/adaoeclara.pdf?sequence=1

 

Okada, A. (2011). Colearn 2.0 – refletindo sobre o conceito de coaprendizagem via REAS na web 2.0. In Educação e tecnologias: reflexão, inovação e práticas, Acedido em: http://www.slideshare.net/efantauzzi/educao-e-tecnologas-reflexo-inovao-e-prticas-daniela-melar

 

Okada, A., & Bujokas, A. (2013). Comunidades abertas de prática e redes sociais de coaprendizagem da unesco. In Recursos educacionais abertos & redes sociais, Acedido em: http://goo.gl/SN6t0F

 

Ramos, J., Teodoro, V., & Ferreira, F. (2011). Recursos educativos digitais: reflexões sobre a prática. Cadernos SACAUSEF VII.Acedido em: http://www.crie.min-edu.pt/files/@crie/1330429397_Sacausef7_11_35_RED_reflexoes_pratica.pdf

 

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Reflexão sobre a produção do REA “Recursos Educacionais Abertos: O que são, como licenciá-los.

No âmbito da frequência da Unidade Curricular “Materiais e Recursos para Elearning” do Mestrado de Pedagogia do Elearning foi solicitado aos alunos a produção de um Recurso Educacional Aberto tendo como tema uma “Reflexão sobre as temáticas estudadas”. Depois de pensar sobre que tema queria trabalhar e de verificar quais as temáticas escolhidas pelos colegas, decidi fazer um REA tendo como título “Recursos Educacionais Abertos: O que são; Como licenciá-los”.

Depois de pesquisar sobre a temática, muita informação já tinha sido adquirida com a frequência das várias Unidades Curriculares, comecei a construção do REA. Conforme o proposto e aceite pela Professora, o recurso consistia num vídeo, no qual iam surgindo desenhos que iam ilustrando o que um narrador ia dizendo. A minha ideia inicial, relativa à componente áudio, consistia na utilização de um software de conversão de texto em som para converter o texto produzido na voz do narrador. A professora sugeriu que, de modo a tornar o trabalho mais pessoal, a narração fosse feita com a minha voz. Perante esta sugestão, vinda de uma das Professoras da Unidade Curricular, foi impossível não aceitar. Fiquei ciente, desde o momento que aceitei ser o narrador, que a tarefa tinha complicado. Como verifiquei mais tarde quando estava a gravar o som, não é fácil gravarmo-nos a ler um texto e o resultado obtido ser do nosso agrado. Para complicar a tarefa, quando estava a gravar o som, chovia torrencialmente, não consegui que isso não fosse percetível em alguns momentos do filme e passei cerca de duas horas a gravar-me a ler o texto para conseguir pouco mais de 6 minutos de produto final.

Estou atualmente a trabalhar em Timor-Leste e as condições de trabalho não são propriamente as mais favoráveis para este tipo de trabalhos. A gravação do vídeo ocorreu dentro de uma caserna de um aquartelamento das Forças de Defesa de Timor-Leste, com condições de visibilidade precárias. Tive de empilhar uns móveis para conseguir um suporte para a câmara, transformar uns candeeiros em projetores e assim conseguir transformar o meu local de trabalho habitual num estúdio de gravação.

800691-Reflexão sobre a Produção do REA

Depois de ter o estúdio montado dei início a gravação do vídeo e, simultaneamente, iniciei os desenhos. Depois de terminar todos os desenhos, nove folhas A3, quando pensava que tinha a parte da gravação do vídeo concluída, deparei-me com um novo contratempo. A câmara parou de filmar duas folhas antes de eu terminar, o cartão de memória ficou cheio e eu não me apercebi. Tive de trocar de cartão, voltar a empoleirar a câmara no seu “suporte” e voltar a por as “mãos na massa”. Tive de voltar a desenhar as duas últimas folhas de desenhos.

Depois de ter o “desenhar” gravado seguiu-se a edição do vídeo. Através de software específico para o efeito cortei o vídeo e pequenos clips juntei-lhe o áudio respetivo e acelerei o vídeo de modo a que tivesse a mesma duração que o som. Finalmente juntei um título no início e as referências no fim, procurei uma música de licença aberta para juntar a estas duas pequenas partes e o filme estava montado. Esta tarefa não trouxe complicações de maior, as dificuldades só as voltei a encontrar no momento em que fiz o upload do filme. A internet em Timor-Leste, além de ser um artigo muito caro, também é muito lenta e com quebras constantes. Fazer o upload de 158 Megas para o Youtube não foi tarefa simples, requereu muita paciência e tempo.

Mas, neste trabalho, não foram as dificuldades técnicas que mais perturbaram a execução da tarefa. As dificuldades apresentaram-se de outra forma, com a produção deste REA apercebi-me que não é fácil passar ideias abstratas para desenho. Já tinha feito outro trabalho, idêntico a este, para um MOOC que decorreu na Universidade Aberta. Nesse vídeo foi relativamente simples decidir o que desenhar, o tema era concreto e sequencial e escolher as imagens que ilustrariam o discurso do narrador foi tarefa simples. No REA “Recursos Educacionais Abertos: O que são; Como licenciá-los” tive uma grande dificuldade em decidir que desenhos iria utilizar para ilustrar os conceitos ou as ideias. Mas a missão tinha de ser cumprida, tinha de levar a carta a Garcia, e comecei a pesquisar imagens que ilustrassem os conceitos que eu iria apresentar verbalmente. Apesar da dificuldade em decidir que imagens utilizar acabei por optar por algumas que, de alguma forma, penso eu, ilustram a ideia apresentada. Quando terminamos um trabalho, pelo menos esse sentimento surge-me sempre, ficamos com a ideia de que deveríamos ter feito certas coisas de maneira diferente, que se mudássemos uma coisa ou outra, o produto final poderia ser melhor. Mas imediatamente tomo consciência de que me empenhei ao máximo, de que dei o meu melhor e este sentimento inibe o anterior deixando-me com uma sensação de autorrealização.

O REA “Recursos Educacionais Abertos: O que são; Como licenciá-los”:

 

 

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Relatório de Exploração de Ambientes Virtuais de Aprendizagem

Relatório – Análise e Exploração de AVAs

 

Introdução

 

Foi proposto, como trabalho para as semanas 6, 7 e 8 (de 02 a 30 de junho de 2014), da Unidade Curricular “Ambientes Virtuais de Aprendizagem”, a análise e exploração de diversos AVA, sabendo da importância que estes têm em termos da Pedagogia do Elearning e do Design dos Ambientes Virtuais.

Os AVA propostos pela professora, para análise e exploração, foram, enquadrados nas Plataformas (Learning Management System), o Moodle, o Lore, o Schoology, o GoogleSites e o Learndash.

Dentro das Plataformas de Social Learning foi-nos proposto a análise e exploração do Ellg, do Edmodo, do Drupal, do BudyPress, do Spuz e do Grou.ps.

Entre as ferramentas individuais, foi proposto que analisássemos e explorássemos AVAs de social bookmarking, de agregação e de blogging. Dentro destes vou referir-me ao Delicious, ao Scoop.it e ao WordPress.

Como AVAs colaborativos foi proposto, para análise e exploração, o Googledocs e o Twitter.

 

Moodle

A minha experiência como utilizador do LMS Moodle, na ótica do aluno, começou há alguns anos no Exército. Mais tarde, durante toda a minha licenciatura, o meu contacto com colegas e com professores era efetuado através do Moodle da Universidade Aberta. Atualmente, a frequência deste mestrado tem por base o LMS Moodle.

Julgo que o Moodle é um excelente Learning Management System e é esse o motivo pelo qual é tão popular. É um ambiente virtual de aprendizagem que permite a utilização de fóruns, a gestão de alunos, a utilização de Wikis, o upload e a partilha de ficheiros, permite a aplicação de questionários que poderão ser utilizados como testes de avaliação, entre outras capacidades de grande utilidade para quem o utiliza quer na ótica do professor quer para quem se conecta como aluno. Considero que a sua instalação e o primeiro contacto, por pessoas menos familiarizadas com este tipo de software, não é o mais “amigável”. Talvez seja esta a sua caraterística mais desfavorável.

 

Lore

O Lore é um LMS de muito fácil utilização e configuração. Tem uma aparência que se pode julgar como minimalista mas que o torna de muito simples utilização. Os professores com pouca literacia digital poderão, facilmente, através deste LMS, colocar os seus cursos online. O Lore permite a criação de fóruns de discussão, tem um calendário que permite a criação de eventos, tarefas e avaliações. Tem uma “biblioteca” para o upload de ficheiros e ainda permite a gestão de utilizadores. De fácil utilização e configuração, este Learning Management System poderá ser o mais indicado para cursos simples onde não seja necessário um sistema de gestão da aprendizagem muito sofisticado.

 

Schoology

O Schoology é um Learning Management System fácil de usar e com capacidades que permitem a disponibilização de um curso já bastante elaborado. Este LMS tem a característica de o seu aspeto visual ser muito idêntico ao do facebook. O Schoology permite a gestão de alunos, a utilização de variados recursos que vão desde o fórum de discussão, passando pelo questionário ou teste de avaliação, permite a criação de novas páginas, a utilização de ferramentas externas, o upload de ficheiros, tem um calendário incorporado que permite a calendarização de tarefas ou avaliações e permite o envio de mensagens. Julgo que este LMS, apesar de ser bastante intuitivo e a configuração dos seus cursos ser bastante fácil, possui capacidades que permitem a colocação online de cursos com alguma complexidade.

 

Googlesites

A minha experiência com o Googlesites começou o ano passado, durante a minha frequência da Unidade Curricular Processos Pedagógicos em Elearning. Para a referida UC foi construída uma página de apresentação para a tarefa “ Desenho de uma atividade de aprendizagem online”, que se encontra em https://sites.google.com/site/ppelatividadecriarumblog/, que mais tarde foi implementada no LMS Blackboard da Coursesites que se encontra em http://goo.gl/wdiV8T. Considero que o Googlesites é uma excelente ferramenta para a construção de paginas web. É muito fácil de utilizar e permite a disponibilização da informação de um modo muito atrativo. Quanto à sua utilização como Learning Management System julgo que é pouco eficaz. Apesar de permitir a disponibilização de informação não permite que os alunos publiquem ou façam upload de ficheiros, não permite a gestão de alunos nem tem ferramentas que permitam a avaliação.

 

LearnDash

O Learndash é o Learning Management System da WordPress. É um LMS muito completo, com todas as capacidades que é comum encontrar nos LMS profissionais mas que têm um grande inconveniente, não é gratuito. Permite a instalação de pluggins que se vão acrescentando à medida das necessidades do professor. De momento não estou a pensar em utilizar o Learndash porque julgo que é possível ter acesso a todas as capacidades que este LMS proporciona recorrendo a outros LMS de acesso gratuito.

 

Elgg

O Elgg é uma ferramenta de criação de Redes Sociais, podendo estas serem transformadas em plataformas de Social Learning. A sua instalação e colocação online não é uma tarefa fácil para quem não possua uma boa literacia digital. Depois de instalada e colocada a funcionar, a plataforma de Social Learning, criada através do elgg é uma ferramenta com grandes capacidades para a aprendizagem online. Esta ferramenta permite criar uma rede social onde os seus utilizadores comunicam e colaboram facilmente permitindo-nos, a nós como administradores, manter o controlo dos dados e das relações. Também tem a capacidade de ser facilmente personalizável.

 

Edmodo

O Edmodo é uma aplicação muito fácil de usar. Utilizei-a, pela primeira vez, no âmbito desta tarefa e fiquei bastante agradado. Basta um simples registo, alguns dados para personalização e temos a nossa Rede Social de Social Learning a funcionar. Os professores com pouca literacia digital podem, através desta ferramenta, criar a sua rede social e manterem-se em contacto com os seus alunos. Também os alunos que não possuam muita experiência neste tipo de ferramentas, por exemplo alunos em Aprendizagem ao Longo da Vida, através do Edmodo, não terão qualquer dificuldade em se ligarem ao seu professor e aos seus colegas. Permite uma grande mobilidade, pode ser facilmente acedido ou atualizado através de um telemóvel. Esta aplicação permite um ambiente de turma, a comunicação processa-se, de forma fechada, dentro do grupo.

Como principal desvantagem, o Edmodo não permite uma conversação síncrona e devia ter a possibilidade de comunicar através de chat. Apesar de ser muito idêntico ao Facebook tem, também como desvantagem, uma reduzida capacidade de personalização.

 

Drupal

O Drupal é um software que, como o ELGG, não é fácil de instalar nem de utilizar por quem não tem muita experiência em tecnologias digitais. É uma ferramenta muito completa que permite, entre outras funcionalidades, criar uma Rede Social que se pode transformar numa plataforma de Social Learning. Depois de criada, esta Rede Social permite aos seus membros a criação de blogues para publicação, a partilha de ficheiros entre os seus membros, a criação de fóruns de discussão e a criação de Wikis para trabalho colaborativo. Como referi, este é um software que permite a criação de plataformas de Social Learning com grandes potencialidades. Além da sua complexidade na instalação e configuração, o Drupal tem o inconveniente de necessitar de ser alojado num “Web Hosting” que, por norma, são pagos.

 

BudyPress

O Budypress é um plugIn que se instala no WordPress e que permite a criação de uma Rede Social fechada. Tem caraterísticas idênticas ao Facebook mas serve para a criação de redes mais restritas. O Budypress pode ser transformado numa plataforma de Social Learning onde os utilizadores podem criar perfis, enviar mensagens, fazer conexões com outras pessoas, criar e interagir em grupos e fóruns. Depois de instalado permite um largo leque de opções de personalização. Os utilizadores podem criar, editar e alterar o seu perfil, podem criar listas de amigos, podem trocar mensagens privadas entre utilizadores e permite a criação de grupos onde é possível partilhar informação dentro de áreas específicas. Como inconveniente, este Plugin da WordPress só pode ser instalado na versão paga. A versão gratuita do WordPress não permite a instalação desta rede social.

 

Spuz

O Spuz é uma ferramenta que me cativou bastante. Permite criar uma Rede Social, que facilmente se pode converter numa plataforma de Social Learning, de forma muito fácil e intuitiva. Todos os menus são auto-explicativos. Com apenas algumas configurações podemos ter uma rede social pronta a funcionar. A rede criada através do Spuz, que pode ter o nome que lhe quisermos colocar, permite a criação de blogs, a criação de fóruns de discussão, a gestão dos membros, a gestão de grupos, o upload e partilha de vídeos e fotos, tem uma sala de chat e permite mensagens instantâneas entre membros, também tem um largo leque de opções de personalização do seu aspeto visual. Recorrendo ao  Spuz, quem não tem experiência na criação e gestão de redes sociais pode criar e configurar uma rede para interagir socialmente com outros membros. Como inconveniente desta ferramenta aponto o facto de, apesar de afirmar que tem uma versão mais limitada que é gratuita, só permite a criação de uma rede social após uma contribuição monetária.

 

Grou.ps

O Grou.ps é uma plataforma online que permite criar uma rede social privada. Tem um aspeto muito semelhante ao facebook, apesar de permitir a personalização do seu ambiente. A sua utilização como ferramenta de Social Learning pode tornar-se muito interessante. Depois de instalado e configurado permite que o seu acesso seja feito diretamente, por qualquer utilizador, sem qualquer restrição, pode ser configurado para que o acesso só seja permitido depois que o registo seja validado pelo administrador, pode ser configurado para que o registo e acesso só sejam possíveis perante convite ou, ainda, só ser autorizado o seu acesso aos proprietários de um endereço de mail pertencente a um domínio específico. As suas capacidades são muito idênticas à maioria das ferramentas de criação de redes sociais. Permite a gestão do perfil, permite a gestão dos membros, a gestão de grupos, tem a capacidade de se poder fazer upload e download de ficheiros, permite a criação de blogs, tem um chat, tem um calendário para eventos, permite o post de comentários entre os vários membros. Esta ferramenta permite que sejam adicionadas novas aplicações, como complemento, à medida que vão sendo necessárias. O Grou.ps, como quase a totalidade das ferramentas de criação de redes sociais, tem a desvantagem de não ser gratuita. Para se poder criar e manter uma rede social no Grou.ps é necessário o pagamento de uma mensalidade.

 

Delicious

Como ferramenta de social bookmarking, utilizo o Delicious. O uso desta ferramenta apresenta duas grandes vantagens. Permite que eu tenha sempre disponíveis os meus “bookmarks”, independentemente de que computador e de que ponto do globo os esteja a acessar e, simultaneamente, permite que os meus bookmarks sejam partilhados pela minha rede de relações. Deparamo-nos constantemente, quando estamos online, com páginas e artigos que queremos consultar mas que, de momento, não dispomos de tempo. Através do Delicious, com um simples clique, guardamos o link dessas páginas, com a possibilidade de lhe anexarmos tags para mais tarde termos a possibilidade de acessar a esses links, por assunto. Quando fazemos esse clique, também temos a possibilidade de tornar o link que estamos a salvar, público ou privado. Julgo que o Delicious é uma excelente ferramenta, não é por acaso que é o site de social bookmarking mais utilizado no mundo.

 

Scoop.it

O Scoop.it é uma ferramenta de agregação que nos permite juntar vários artigos ou outro tipo de páginas web num mesmo local. Esta ferramenta permite-nos agregar páginas, á medida que encontramos artigos na web, relacionados com determinado tema, através de um simples clique num botão, que se pode inserir na barra de ferramentas do nosso browser. O Scoop.it é uma ferramenta muito útil quando se faz investigação. À medida que vamos encontrando informação pertinente, vamos juntando-a ao nosso “Scoop” e quando terminamos a pesquisa temos a informação relevante toda concentrada num único local.

O Scoop.it também permite que sejam adicionados seguidores. Dessa forma, sempre que eu adicionar uma página a um Scoop meu, os meus seguidores vão ser notificados e receberão no seu mail um link para esse Scoop. Julgo que o Scoop.it é muito mais que uma simples ferramenta de bookmark, devido ao seu aspeto visual, as páginas de agregação do Scoop.it provocam, nos seguidores, uma maior apetência para a leitura do seu conteúdo.

 

WordPress

Como ferramenta de blogging utilizo o WordPress. É uma ferramenta de Blogging que tem uma versão gratuita e uma versão paga, esta com muitas mais funcionalidades. Eu utilizo a versão “free” e julgo que, para manter um Blogg no âmbito do que é necessário para a frequência deste mestrado, ou para ir publicando num blog pessoal, é suficiente. O WordPress, na versão gratuita, permite a criação de Blogs com variadas aparências pré definidas, permite a inserção de imagens e vídeos nos textos e tem uma variedade de Widgests, com os quais podemos personalizar o nosso blog. Julgo que um blogger que não utilize o blog para fins profissionais pode ir publicando nos seus blogs pessoais recorrendo ao WordPress, na versão “free”, sem se sentir limitado.

 

Google docs

O Google docs ou Google Drive é uma excelente ferramenta para o trabalho colaborativo. Além de ser um local de armazenamento de informação na “cloud”, permitindo aos utilizadores acederem à sua informação, de qualquer lugar, em qualquer momento, bastando para isso o acesso a um qualquer computador com ligação à internet, também permite a criação de documentos de texto, folhas de cálculo, apresentações, formulários e desenhos. Estes documentos, criados no Google Drive, tem a particularidade de poderem ser partilhados com outras pessoas, permitindo que várias pessoas trabalhem no mesmo documento, em simultâneo, a partir de qualquer ponto do globo. Além disso, para melhor coordenarem o seu trabalho colaborativo, os utilizadores têm a possibilidade de comunicarem, entre si, através de um chat ou de inserir comentários ao documento que estão a trabalhar. A ferramenta de formulário do Google Drive é muito útil na elaboração de questionários para investigações ou como ferramenta de avaliação. Tem a particularidade de poder guardar automaticamente as respostas dadas numa folha de cálculo, capacidade que é muito útil no posterior processamento dos resultados. Já utilizei as diversas ferramentas do Google Drive, em diversos trabalhos académicos, e sempre me pareceram muito simples de utilizar e muito práticas na elaboração do trabalho que eu realizava.

 

Twitter

O twitter é uma rede social onde os seus membros comunicam entre si através de mensagens de texto que podem ter no máximo 140 caracteres, conhecidos como Tweets. Estas mensagens são recebidas pelos seguidores de quem a enviou e podem ser enviadas e recebidas através de um computador ou através de um simples smartphone. Os Tweets também podem ser enviados a apenas um seguidor, ficando todos os outros impedidos de o ver. Os utilizadores podem ter um perfil público onde todas as pessoas se podem tornar seus seguidores ou ter um perfil privado onde este autoriza, ou não, outros utilizadores do Twitter a serem seus seguidores. Esta ferramenta é muito útil quando se pretende comunicar através de mensagens curtas. É uma forma de, por exemplo, rapidamente, partilhar o link de uma página interessante com todo um grupo de seguidores. Não sou um utilizador assíduo do Twitter nem tenho muita experiência na utilização do mesmo, mas reconheço que possa ser uma ferramenta de grande utilidade para quem se dedique à aprendizagem em elearning.

 

Conclusão

Depois de explorar e analisar todas as ferramentas propostas pela professora depreende-se que todas elas têm vantagens e inconvenientes. Por norma, todas aquelas ferramentas que não são gratuitas têm mais capacidades do que aquelas que são gratuitas. Muitas dessas ferramentas têm uma versão “free”, com poucas potencialidades e uma versão com mais recursos que passa a ser paga se precisarmos de mais funções.

Todas estas ferramentas precisam de um período de tempo de experimentação e prática por parte do utilizador, mais ou menos longo, antes de este se tornar proficiente na sua utilização. Julgo que é mais produtivo o utilizador usar uma determinada ferramenta e dominá-la do que ter alguns conhecimentos sobre várias ferramentas e não dominar nenhuma. Por outro lado, outra dificuldade que se coloca ao utilizador prende-se com a velocidade com que o software vai evoluindo, quando o utilizador começa a ficar experiente em determinada ferramenta, surge um novo software e esta fica ultrapassada.

Também pude constatar que a grande maioria das ferramentas de construção de Redes Sociais, devido à sua necessidade de “web hosting” ou talvez devido à sua grande popularidade atual, não são gratuitas.

Em cada uma das tarefas que queremos executar devemos utilizar a ferramenta mais apropriada mas julgo que a seleção da ferramenta para a tarefa em questão, muitas das vezes, é decidida em função de determinadas preferências do utilizador, por exemplo o aspeto visual da mesma, e não em função das capacidades da ferramenta em si.

 

Referências:

http://buddypress.org/

http://grou.ps/home

http://lore.com/

http://www.learndash.com/

http://www.scoop.it/

http://www.spruz.com/

https://delicious.com/

https://drupal.org/

https://moodle.org/

https://www.schoology.com/

https://wordpress.com/

https://docs.google.com/

https://twitter.com/

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Comunidades, Redes e Grupos – 2ª Fase

Introdução

Existem três formas de agregação coletiva online que, através de software social, envolvem indivíduos em atividades de aprendizagem e partilha. Estas formas de agregação coletiva são o Grupo, a Rede e a Comunidade. Cada uma destas entidades oferece benefícios, recompensas e desafios aos participantes mas, todas elas, por si só, têm potenciais fraquezas que podem minar a experiência de aprendizagem.

Grupo.

Um grupo é um sistema de relações sociais, de interações recorrentes entre pessoas. Também pode ser definido como uma coleção de várias pessoas que compartilham certas características, interagem uns com os outros, aceitam direitos e obrigações inerentes à condição de partilha. Para haver um grupo social é preciso que os indivíduos se percebam, de alguma forma, afiliados ao grupo.

É um sistema de relações sociais onde a coesão entre os seus elementos é uma caraterística permanente. Têm, por norma, uma linha de comando, diferentes níveis de autoridade e os papeis a desempenhar pelos seus membros estão bem definidos. Os indivíduos vêm-se como parte do grupo. O seu modelo organizacional, normalmente, está definido à partida e a sua estrutura está organizada em função da tarefa. O grupo pode existir só enquanto durar a tarefa. Os elementos do grupo necessitam, normalmente, de se reunir face-a-face ou em videoconferência. Este é um tipo de organização onde todos os elementos conhecem o nome dos restantes e a entrada no grupo é controlada, não está acessível a todos os que quiserem fazer parte.

Existe uma identidade comum, as normas e estereótipos do grupo são internalizadas por todos os elementos. Não existe anonimato e os membros esperam que as suas contribuições sejam reconhecidas pelos outros membros. Os elementos não usam identidade falsa ou avatar e deve existir um nível de confiança entre os seus membros.

As turmas de aprendizagem online, as equipas de projeto e os utilizadores de LMS são exemplos de Grupos.

Rede

A rede fornece um ambiente para estruturas pouco organizadas. Os seus participantes estão ligados entre si, direta ou indiretamente, mas não têm perceção de todos aqueles que a compõem. A forma da rede é emergente, vai-se moldando a si própria à medida que se vai desenvolvendo, não é desenhada à priori. Os membros de uma rede partilham um sentido de compromisso marginal entre si, as relações entre os seus membros é de baixa densidade. São induzidos a contribuírem para a rede como forma de aumentar a sua reputação e pretendem que o recurso criado pela rede seja maior que o individual ou o grupal. A rede serve para o individuo adquirir algo (informações, pontos de vista, contactos) para além do que consegue adquirir no seu grupo. As redes são fluídas e generativas, não são, elas próprias inteligentes, mas a relações que criam entre os seus elementos produzem conhecimento. Os indivíduos ligam-se às redes para partilhar interesses, vocações ou para adquirir conhecimento daqueles que sabem mais que eles próprios. É um conjunto de conexões entre as pessoas. Os membros usam suas conexões e relacionamentos como um recurso a fim de resolver rapidamente os seus problemas, compartilhar conhecimento e fazer novas conexões. Os membros partilham um perfil onde identificam competências e interesses comuns. As redes têm a capacidade de permitir aos seus membros colaborarem com outros membros que pretendem conhecer, permitem que as pessoas se conheçam, interajam e compartilhem ideias, artefactos e interesses. Muitos dos seus elementos fazem parte de várias redes. Estas não são restritas, mas também não são desenhadas para satisfazer as necessidades de qualquer um. A rede refere-se ao conjunto de relações, interações pessoais e as conexões entre os elementos que têm motivos pessoais para se conectar. É vista como um conjunto de nós e ligações com benefícios para a aprendizagem, tais como os fluxos de informação, ligações úteis, resolução conjunta de problemas e criação de conhecimento. São exemplo de redes o Facebook, o Myspace e o LinkedIn.

Comunidade

A Comunidade é uma parceria de aprendizagem entre as pessoas que acham que é útil aprender, uns com os outros, sobre um domínio particular. Os seus membros usam a experiência da prática de cada um como um recurso de aprendizagem. A comunidade refere-se ao desenvolvimento de uma identidade partilhada em torno de um tópico ou um conjunto de desafios. Ela representa uma intenção coletiva, no entanto tácita e distribuída, para administrar um domínio do conhecimento e para prover a aprender sobre ele. As comunidades são formadas por indivíduos que não se vêm como um grupo ou como uma rede. A forma da comunidade é emergente, não é desenhada, tal como a rede, vai modificando o seu tamanho e forma à medida que cresce. É formada através da agregação de atividades individuais, de atividades de grupos e de atividades de redes. A comunidade não requer que os membros tenham compromissos para com os outros. É utilizado um “espaço” e ferramentas comuns para o benefício de todos os que as utilizam. A comunidade assenta no princípio de que, em muitos tipos de conhecimento, a agregação mediana do conhecimento de muitos é superior ao conhecimento de individuais. As comunidades beneficiam (ou sofrem) do efeito de Mattew, onde, quantos mais membros a comunidade possuir, mais visível e útil será. Numa comunidade, cerca de 90% dos seus membros são apenas consumidores, não produzem, mas mesmo apenas como consumidores estes dão valor à comunidade através do seu consumo. A Wikipédia é um excelente exemplo de comunidade.

Conclusão

Os grupos, as redes e as comunidades, como podemos constatar, devido à sua organização, à forma de relacionamento dos seus membros, ao seu número de elementos e ao grau de partilha e entrega dos seus membros, enquanto modo de aprender colaborativamente através do recurso a software social, têm vantagens e potenciais pontos fracos. Utilizar as três formas de agregação coletiva, simultaneamente, na construção do conhecimento, é a forma de, através dos pontos fortes de umas minimizar as fraquezas de outras.

 

Referências:

Anderson, T. (2009). Social Networking in Education. Visto em: http://terrya.edublogs.org/2009/04/28/social-networking-chapter/

Dron e Anderson (2008). Collectives, Networks and Groups in Social Software for E-Learning. Visto em: http://goo.gl/N6ZMML

Figueiredo, A. (2002). Redes e educação: a surpreendente riqueza de um conceito, in Conselho Nacional de Educação (2002), Redes de Aprendizagem, Redes de Conhecimento, Conselho Nacional de Educação, Ministério da Educação, Lisboa. Visto em: http://eden.dei.uc.pt/~adf/cne2002.pdf

Wenger, E., Trayner, B. & Laat, M. (2011). Promoting and assessing value creation in communities and networks: a conceptual frameworkRuud de Moor Centrum: Neederlands. Visto em: http://www.open.ou.nl/rslmlt/Wenger_Trayner_DeLaat_Value_creation.pdf

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Comunidades, Redes e Grupos – 1ª Fase

Mapa conceptual – A diferença entre Grupo, Rede e Comunidade

 

AVA.Tema 3.Mapa conceptual

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